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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

ENTREGA DE BARAJÁS 2


Abertura dos trabalhos para a entrega de barajás, na Casa de Pai Benedito, aos sacerdotes do barco 26 da Federação Umbandista do Grande ABC, em 17 de julho de 2010.

ENTREGA DE BARAJÁS


Pai Ronaldo Linares, Mãe Dirce e Pai Diamantino na solenidade de entrega dos barajás aos sacerdotes da Federação Umbandista do Grande ABC - Barco 26, na Casa de Pai Benedito, em 17 de julho de 2010.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A PESQUISA NA HISTÓRIA DA UMBANDA

Dezenas de sites da Internet, artigos, jornais e livros abordam a História da Umbanda utilizando-se da pesquisa secundária e terciária. Poucos utilizam a pesquisa primária, afastando-se assim da realidade histórica. É impossível ao historiador a imparcialidade. Desde a escolha de documentos até a redação do trabalho são feitas escolhas, que não são causais. Qualquer tentativa de escrever sobre um fato ou período histórico envolve seleção, julgamento e pressupostos metodológicos. A História não pode ser nunca puramente descritiva, pois sempre haverá elementos de avaliação em qualquer relato. Sendo assim, o máximo que um historiador pode fazer no seu trabalho é alcançar uma face da verdade, que não é absoluta e sim variável de acordo com as condições que se apresentam no momento da escrita.
Quando escrevi pela primeira vez sobre a História da Umbanda[1] utilizei apenas a pesquisa secundária fundamentada nos relatos e apostilas da Federação Umbandista do Grande ABC, escritas por Ronaldo Linares que havia feito algumas entrevistas com Zélio de Moraes e relatos de Lilia Ribeiro que também havia entrevistado Zélio. Esses relatos e apostilas levaram-me à pesquisa primária por meio das diversas visitas a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade (entre 1984 e 1990), a primeira tenda de Umbanda. Durante essas visitas e um retiro de três dias na Cabana de Pai Antonio, em Cachoeiras de Macacu, Dona Zélia de Moraes e Dona Zilméia de Moraes revelaram-me preciosos dados sobre a implantação da Umbanda no Brasil, por meio do Caboclo das Sete Encruzilhadas e seu médium Zélio de Moraes. Colocaram à minha disposição fotos e documentos que possibilitaram uma pesquisa primária mais detalhada sobre a Umbanda. Um desses documentos disponibilizados foi uma cópia da rara obra de Leal de Souza, de 1933, intitulada O Espiritismo, a Magia, e as Sete Linhas de Umbanda, onde relatava diversos acontecimentos históricos da Umbanda. Este escritor tinha uma relação direta com Zélio de Moraes e o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Dirigiu, sob ordem deste Caboclo, a Tenda Nossa Senhora da Conceição. Em 1984, Dona Zélia de Moraes hospedou-se na minha casa, em São Paulo, por três dias onde tive a oportunidade de conseguir mais dados históricos sobre a Umbanda.
Com este material escrevi, utilizando a pesquisa primária, o livro Iniciação à Umbanda, 1986, que trazia a primeira abordagem mais completa, até então, da História da Umbanda no Brasil. A partir daí fiz diversas pesquisas e entrevistas em terreiros e federações de Umbanda e cultos afro-brasileiros. Consegui também diversos documentos sobre o trabalho de W.W. da Matta e Silva, que escreveu nove obras abordando os aspectos esotéricos da Umbanda. Ampliei assim a minha pesquisa primária e, em 1991, publiquei o livro Umbanda e Sua História, sendo este o primeiro livro de História da Umbanda no Brasil.
Em agosto de 2008, quando estava terminando de escrever o livro Umbanda Brasileira: um século de história[2] consegui um raro exemplar da obra No Mundo dos Espíritos, publicado em 1925, de Leal de Souza. Este sim é o primeiro livro que trata da Umbanda. Alguns trechos desta obra foram publicados neste livro.
Pouco se sabia da vida de Leal de Souza até então. Iniciei uma pesquisa, por intermédio da Internet, e consegui algumas referências de autores que escreveram sobre ele. Comecei, então, uma busca em “sebos” pelo Brasil afora e consegui 17 preciosos livros, algumas revistas, além de três outras obras de Leal de Souza. Para minha surpresa, um poema seu foi psicografado por Chico Xavier.
Com este material escrevi o livro Antônio Eliezer Leal de Souza: o primeiro escritor da Umbanda[3] que procura resgatar, pelo menos em parte, a vida pessoal e literária deste brilhante escritor que teve papel de destaque no parnasianismo, onde Olavo Bilac foi a figura mais importante, no jornalismo carioca e na literatura espírita e umbandista. Foi um defensor e praticante dedicado do Espiritismo e da Umbanda, tendo feito conferências na Federação Espírita Brasileira e convivido, durante vinte e três anos, com Zélio de Moraes e o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Dirigiu, sob as ordens e orientação desta Entidade, a Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição, uma das sete tendas mestras responsáveis pela implantação da Umbanda em nosso pais.
A minha pesquisa primária não cessa, pois a cada dia novos documentos aparecem e revelam aspectos ainda não conhecidos desta religião que completou 100 anos em 2008. Quando um pesquisador recorre apenas à pesquisa secundária e terciária incorre em erros que comprometem a realidade histórica.
Um exemplo da legitimidade da pesquisa primária podemos ver no seguinte caso: os relatos de Zélio de Moraes remetem a fundação da Umbanda no dia 15 de novembro de 1908 quando seu pai o levou a Federação Espírita de Niterói, dirigida por José de Souza. A Federação Espírita de Niterói é conhecida atualmente como Instituto Espírita Bezerra de Menezes. José Henrique Motta de Oliveira, em sua pesquisa de mestrado, entrevistou a Diretora de Divulgação deste Instituto, a Senhora Yeda Hungria, que consultou o Livro de Atas número 1 e nenhum registro foi encontrado sobre a manifestação mediúnica de Zélio de Moraes. Informou também que não há registros da reunião de 15 de novembro de 1908. Explicou ainda que o Instituto (antiga Federação) nunca foi presidida pelo Senhor José de Souza. Nessa época, a Federação tinha como presidente o Senhor Eugênio Olímpio de Souza (biênio 1907-1909). O Senhor José de Souza não aparece como ocupante de qualquer cargo da Federação, nem entre o registro de sócios.
Não podemos duvidar dos relatos de Zélio de Moraes e Leal de Souza, porém a pesquisa de Diana Brown, antropóloga e pesquisadora da Universidade de São Paulo, mostra que o evento ocorreu na Federação Espirita do Rio de Janeiro, sediada, na época, em Niterói. Por isso faz-se necessário que todos que escrevem sobre a História da Umbanda especifiquem se realizaram pesquisa primária, secundária, terciária etc. Qual a metodologia utilizada? Não basta consultar e copiar os escritos de Lilia Ribeiro, Ronaldo Linares, Diamantino Fernandes Trindade, Diana Brown e outros. É preciso ter acesso aos documentos históricos e realizar entrevistas nas fontes de origem. Isto faz parte daquilo que, nos meios acadêmicos, conhecemos como história oral.
Novamente, utilizando a pesquisa primária, escrevi o livro A construção histórica da literatura umbandista.[4] História não é Ciência, mesmo assim, utilizando metodologia científica, apresento momentos históricos da literatura umbandista que achei convenientes. O historiador não é imparcial, pois quando elege os documentos para sua pesquisa, já está sendo parcial. Em cada obra há um enfoque diferente, o que leva algumas pessoas a interpretar isso como um abandono de antigas idéias.
Historiador é aquele que escreve a Historia segundo a sua ótica em função de documentos originais orais e escritos.
Uma recomendação para aqueles que não gostam das minhas idéias: não leiam o que eu escrevo!

Diamantino Fernandes Trindade
Pós-Doutor em Educação pelo GEPI-PUCSP
Doutor em Educação pela PUC-SP
Mestre em Educação pela Universidade Cidade de São Paulo
Master Science in Education Science – City University Los Angeles
Professor de História da Ciência, Epistemologia e Metodologia Científica do
Instituto Federal de Educação de São Paulo
Membro do Centro Cultural Africano
Sacerdote da Federação Umbandista do Grande ABC
[1] Aspectos históricos e sociais da Umbanda no Brasil, monografia de conclusão do curso de pós-graduação em Estudos Brasileiros pela Universidade Mackenzie (1983).
[2] Este livro foi lançado em novembro de 2008 pela Ícone Editora.
[3] Obra publicada, em 2009, pela Editora do Conhecimento.
[4] Obra publicada, em 2010, pela Editora do Conhecimento.

sábado, 17 de julho de 2010

ZÉLIO DE MORAES E A POLÍTICA

Com o intuito de ajudar a população de seu município, Zélio de Moraes se candidatou a vereador de São Gonçalo em 1924, sendo eleito em 18 de maio. Conforme normas legislativas da época, sua posse ocorre no dia 06 de junho do mesmo ano, com término do mandato em 30 de abril de 1927. Como vereador, dedicou-se principalmente à difusão de escolas públicas no município em que residia. Tamanha foi sua dedicação a este tema, que criou uma escola totalmente gratuita, de curso primário, funcionando na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, para atender as crianças do bairro de Neves. Buscando continuar o trabalho que vinha fazendo no legislativo de São Gonçalo, de difusão das escolas públicas no município, Zélio se candidatou à reeleição, logrando êxito no pleito de 10 de abril de 1927. Conforme normas legislativas da época, sua posse ocorreu no dia 30 de abril do mesmo ano, com término do mandato em 31 de dezembro de 1929. Buscando continuar o trabalho de difusão das escolas públicas no município, o qual se dedicara nos dois mandatos anteriores, Zélio se candidatou novamente à reeleição no pleito de 01 de setembro de 1929, porém, dessa vez, não logrou êxito. Após essa derrota nas eleições, Zélio de Moraes abandonou a política.
E essa é a história de como foi descoberta e divulgada a passagem de Zélio de Moraes pela política.

Renato Guimarães

sábado, 3 de julho de 2010

LANÇAMENTO

A Editora do Conhecimento lançou no inicio de julho o livro "A Construção Histórica da Literatura Umbandista", de Diamantino Trindade.

Esta obra é um convite para mergulhar no mundo literário da umbanda, penetrando em sua realidade e seus mistérios. A literatura umbandista é diversa em conteúdo e profundidade. Boa parte das obras está voltada para os aspectos exteriores da religião, como rito e magia. Mas existe também uma outra parte que propõe a racionalização da umbanda, buscando explicações que fundamentem a filosofia e ação dessa crença brasileira. Assim, nos primórdios da implantação da umbanda muitos escritores trabalharam abnegadamente com o intuito de esclarecer, unir, normatizar e até mesmo codificar os preceitos umbandistas. Há diversas maneiras de escrever essa história. Esta, que apresentamos aos leitores ansiosos por conhecimento, é algo inédito: um estudo sobre os autores, os livros, as revistas e publicações umbandistas, isto é, um estudo da ótica literária umbandista construída ao longo de mais de oitenta anos de história.Para quem se interessa pela umbanda em profundidade, aqui está uma obra ímpar, de inestimável valor, que dá prosseguimento ao resgate de sua história. Mas vai muito além: escrita e organizada magistralmente pelo pesquisador Diamantino Fernandes Trindade, destina quase trezentas páginas àqueles que questionam: de onde vem e para onde vai a umbanda? Não perca esta oportunidade. Permita-se absorver algo que só seria possível com anos de leitura e pesquisa.

Para adquirir esta obra, acesse o site: www.edconhecimento.com.br

quarta-feira, 30 de junho de 2010

UMBANDA - UM ENSAIO DE ECLETISMO


Capa do Livro Umbanda - um ensaio de ecletismo, de autoria de Diamantino Fernandes Trindade, publicado pela Icone Editora em 1994. Este livro continua sendo reeditado pela mesma editora.

UMBANDA E SUA HISTÓRIA


Capa do livro Umbanda e sua História, de autoria de Diamantino Fernandes Trindade, publicado em 1993 pela Icone Editora. Este livro foi publicado, em edição revista e ampliada pela mesma editora, em 2008, com o título Umbanda Brasileira: um século de história.