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terça-feira, 31 de agosto de 2010

HISTÓRIA DA UMBANDA É PARA QUEM CONHECE A UMBANDA


Diamantino Fernandes Trindade




Os recentes lançamentos das obras “A Construção Histórica da Literatura Umbandista” (Diamantino F. Trindade) e “História da Umbanda: uma religião brasileira”, do nosso querido irmão Alexandre Cumino, trazem mais luz a esse universo, ainda muito velado, da história da Umbanda.
Alexandre Cumino é um jovem e promissor escritor dos temas umbandistas e, agora, em particular, sobre a história da Umbanda. Muito conhecido no meio umbandista em função das suas atividades sacerdotais e magísticas, bem como editor do importante periódico “Jornal de Umbanda Sagrada”, revela-se também como um importante pesquisador.
A sua obra, recém lançada, apresenta um novo olhar sobre os aspectos históricos da nossa querida religião. Diversos temas são tratados com uma forte fundamentação e metodologia. Assim procede quem realmente quer fazer história. Recorreu, cientificamente, à pesquisa primária, utilizando documentos originais escritos e também à história oral, analisando e interpretando as fitas gravadas pela nossa querida irmã Lilia Ribeiro que, na década de 1970, fez diversas entrevistas com Zélio Fernandino de Moraes e outros importantes militantes da Umbanda.
Costumo perguntar como alguém pode praticar ou ser sacerdote de uma religião que não conhece? O maior de todos os físicos brasileiros, Cesar Lattes, dizia que sem história não há realidade objetiva. Para entender os diversos rituais praticados nos terreiros umbandistas é necessário conhecer a história da nossa religião, que não é dogmática, e tem fundamentos que remontam aos seus primórdios com Zélio de Moraes, Benjamim Figueiredo e outros baluartes que pavimentaram o caminho para todos os sacerdotes e discípulos da Umbanda.
Alexandre Cumino resgata, de forma brilhante, essa história, mostrando as origens, a etimologia da palavra, a trajetória e a literatura da Umbanda. É um livro que todo umbandista precisa ter e ler para poder argumentar e justificar os seus rituais e, mais do que isso, mostrar que a Umbanda é uma religião sem preconceitos que abarca em seus terreiros discípulos de todas as classes sociais, étnicas e religiosas.
Como disse o meu Pai Espiritual, Ronaldo Antonio Linares, é um livro para ser saboreado como se fosse um precioso licor, como se ouve um musica maravilhosa que foi composta só para você.
Parabéns meu irmão! Você escreve e faz parte da história da Umbanda.A História da Umbanda é para quem conhece a Umbanda!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A Construção Histórica da Literatura Umbandista



O nosso querido irmão Alex de Oxossi postou um comentário sobre a referida obra em seu importante blog Povo de Aruanda: http://povodearuanda.wordpress.com/2010/08/18/a-construcao-historica-da-literaturaumbandista/


Agradecemos profundamente ao nosso irmão.





Comentários sobre o livro “ A Construção Histórica da Literatura Umbandista” de autoria de Diamantino Trindade





Por que Diamantino Trindade está entre os melhores autores de livros sobre Umbanda? Porque tem autoridade, competência, como ele mesmo revela é um iniciado, um historiador do cotidiano da Umbanda, dono de um acervo imenso de livros e informações de inestimável valor. Podemos arriscar em dizer que na verdade, ele é o melhor historiador da nossa amada Umbanda.
Este livro mostra, dentro do contexto histórico-religioso, a inegável vocação magística da Umbanda através da magistral disciplina do autor, sua segura orientação, conhecimento e domínio do assunto relatado.
Lendo Diamantino, vê-se uma plêiade de escritores orientados pela espiritualidade, uns crendo nas raízes milenares da Umbanda, enquanto que antropólogos e cientistas sociais, a maioria não praticamente, ancoram suas idéias sobre as suas origens africanistas. Pouquíssimos pelo que se vê aqui, aludem ao não menos importante , Sr. Zélio de Moraes, o início da história da Umbanda, embora todos concordem que o Caboclo das Sete Encruzilhadas foi no grande baluarte propulsor dessa região em nossa pátria.
Percebemos que Diamantino Trindade percorreu todas as tendas fundadas pelo Caboclo, além de outras dezenas de centros e instituições umbandistas, obtendo direto da fonte ricos registros históricos de cada uma. Agradeceu com carinho e dedicou de coração a obra ao Sr. Zelio de Moraes e às suas filhas, a Matta e Silva, médium de Pai Guiné, ao babalorixá Ronaldo Linhares, a Alexandre Cumino e a Àtila Nunes Filho e Atila Nunes Neto pelos 60 anos do Programa Melodias de Terreiro. Todos são figuras fáceis do grande desfile de obras e conhecimentos, e importantíssimo pelos papeis que cada um desempenhou a seu tempo.
Logo no início do livro, Diamantino fala de Leal de Souza, do estudo e do livro que fez sobre sua vida, e relata sobre o poema dele que foi psicografado por Chico Xavier, chamado Morte e reencarnação. Também conseguiu achar as mais de 10 obras escritas por este umbandista das primeiras luzes desta religião, além de lembrar que ele foi dirigente da tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição, sendo lhe entregue o cargo pela Sra. Gabriela Dionysio Soares, sua fundadora em 1918.
A respeito do 1º Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda, fala que inicialmente pretendia-se um Congresso de expressão nacional, mas foi na realidade apenas um evento local. Mas muita coisa foi dita e está transcrita e comentada no livro, onde se denota o grande fervor de seus participantes, como podemos ver no discurso inaugural:…”No espiritismo de umbanda, algumas centenas, e até milhares de entidades (pertubadas e pertubadoras), podem ser conduzidas em cada uma das nossas sessões de trabalhos.”.
Outro grande tema deste Congresso foi a explicação da origem etimológica da Umbanda, e em contrapartida, em 1961, Diamantino explica que Cavalcanti Bandeira, autor do grande livro inspirado pelo Caboclo Mirim, chamado “ Okê Caboclo!” apresentou nova teses sobre a palavra e origem da Umbanda. Além disso, relata, embora dê a entender que o 3º Congresso não teve muita expressão, foi após dele que proliferaram as Federações e Associações de Umbanda, e nelas desenvolveram grande projetos caritativos e sociais.
Em outro capítulo, há uma curiosa explicação sobre a origem das imagens aberrantes dos exus, comercializadas nas casas de produtos religiosos de Umbanda, onde afirma do desserviço do Sr. Lourenço Braga, com conceitos equivocados sobre a religião e seus fundamentos, deturpou a imagem e o papel dos Exus, alterando também as linhas de Umbanda.
Neste numeroso desfile de idéias, palavras e expoentes representantes da religião da Luz Divina, Diamantino encontra aqueles que separam a umbanda da quimbanda, outros que inserem a segunda na primeira, outros que seguem de perto muito espiritismo preconizado por Kardec, outros ainda que introduziram muitos componentes orientais, além do que outros afirmam ser a Umbanda uma religião de raízes apenas africanas. Conseguiu nesse cadinho de opiniões sedimentar os alicerces do que representa hoje a Umbanda para nós, sem qualquer vestígio de contradição, sectarismos ou interferências pessoais. Foi primoroso e fiel relator do início ao fim.
Seguindo uma trajetória cronológica, o autor desta obra faz importante constatação: afirma que o movimento umbandista teve três eventos importantes para se implantar em terras brasileiras: o primeiro no final do século XIX, com o Caboblo Curuguçu; o segundo, na 1ª metade do século XX, com Zélio de Moraes e o Caboclo das Sete Encruzilhadas, e na década de 50, ocorreu o terceiro evento por intermédio de W.W. da Matta e Silva, Mestre Yapacani. Segue falando da obra deste magnífico umbandista, sua luta, mas estes detalhes devem ser saboreados com calma, quando o leitor adquirir o livro na íntegra.
Como não poderia deixar de fazer, Diamantino fala de Àtila Nunes e sua família. Àtila Nunes escrevia no jornal “Gazeta de Notícias” na coluna “Gira de Umbanda”. Nestas anotações, nota-se a coragem e despreendimento, em mostrar seu apreço por respeitar as tradições umbandistas, dentro de seus fundamentos, criticando o excesso de exposição de alguns umbandistas frente aos meios de comunicação.
Eis um trecho: “ …É nosso dever mostrar a nossa convicção, mantendo as nossas tradições e tudo aquilo que herdamos dos nossos antepassados”. Finalizando desse modo; “ Acima de tudo, a dignidade da nossa crença, dos nossos irmãos, de tantos que dão tudo de si pelo bem de todos!”
Àtila Nunes Filho e Àtila Neto continuam empenhados na união dentro da Umbanda e seu reconhecimento por toda a nação.
Já sobre o Capitão Pessoa, fundador e dirigente da tenda de São Jerônimo, podemos refletir sobre um pensamento seu, sem nos prolongarmos e interferirmos no prazer do leitor sobre o texto na íntegra: “…Porque vaidade, em termos de espiritualismo umbandista, é ingenuidade, quando não ignorância, idiotice, burrice.”
Prosseguindo neste primoroso desfile de autores umbandistas, há um capítulo sobre o Sr. Cavalcanti Bandeira, que escreveu a importante obra “O que é a Umbanda”, em 1973 , excelente obra com conceitos esclarecedores sobre exus, sendo adepto da origem africana do termo Umbanda. Esta obra, tal como a maioria dos antigos livros de Umbanda, só se encontram, de forma rara, em sebos, atualmente.
Há um capítulo sobre Roger Feraudy, que escreveu noticiando lembranças de um Universo perdido no tempo, um fio conector com a Umbanda. Por exemplo, um dos seus livros, chamado “A Terra das Araras Vermelhas”, mostra a raça vermelha, muito anterior ao atual povo que habita o Brasil.
E assim por diante, Diamantino recheia o texto com uma escrita clara, direta, prazeirosa de ler, concluindo um trabalho de vasta e profunda pesquisa, inequivocamente necessária para todo umbandista, como também para qualquer estudioso das religiões. Livro para ficar à mão fácil de achar, pois com certeza nele iremos a todo momento para relembrar fatos e reavivar a memória dos grandes acontecimentos da história de nossa querida Umbanda. Mesmo as polêmicas, as dissensões, tudo faz parte da construção e solidificação da mesma, e temos de ficar de pé para aplaudir.
Para finalizar, não resistimos e transcrevemos uma passagem, escrita no “Jornal de Umbanda” de 1954, por Matta e Silva, e utilizaremos este singelo comentário, que teve por objetivo parabenizar Diamantino Trindade por esta obra que é uma de suas melhores, entre outras tantas e tão instrutivas .
…”Senão, ouçam e entendam o que quero dizer: nós que somos trabalhadores de todas as noites, veículos desses orixás que nos ensinam a existência dessa mesma umbanda; nós, primeiro a sermos esclarecidos em seus fundamentos, que amassamos seu pão de cada dia e nos sentimos ferir os seus espinhos…é que somos os mais indicados a distribuir suas pétalas…pois sabemos , elas existem no jardim da Luz e do Merecimento, espargindo sua essência aos sequiosos e aflitos que buscam seu seio como guarida.”
Alex de Oxóssi

domingo, 15 de agosto de 2010

ORUNMILÁ IFÁ




O Prince Adekunle tem como nome religioso Adekunle Aderonmu Ogunjimi, nome adquirido quando de seu nascimento, em cerimônia própria, trazendo o significado da tradicional família da Coroa Real em Oyo - Abeokutá e diz respeito ao Orilé com origem e ligação sanguínea de gerações.
As raízes se remontam na tradição de pai para filho. Babá Ogunjimi foi iniciado aos 10 anos de idade para o Òrisà Ogun, em Abeokuta na África, sua terra Natal, e posteriormente para os mistérios de Ifá. Conforme assegura a tradição de origem familiar, é bisneto de Ojélabi, cultuador de Egungun, neto de Ifatoki e filho carnal de Ifaronmu Aderonmu, do mesmo modo, sacerdote no culto a Ifá, sendo então ele hoje Babalawo Ogunjimi Ifaronmu Aderonmu.
Em resumo, sua descendência religiosa se identifica nas raízes que corresponde à genealogia Africana, nas terras de Abeokuta, preservando os fundamentos e conhecimentos de seus ancestrais. Por determinação de Ifá, Ogunjimi atravessou o Atlântico, chegando ao Brasil. Trazendo sua cultura Yorubá, radicou-se na cidade de São Paulo, e através de muito esforço foi criado o alicerce para a construção e o surgimento do Ile Ase Ifá. Uma pequena reprodução do lugarejo onde morou na África, foi fundado também aqui em São Paulo, o Igbo Ifá, juntamente com todas as divindades, através de seu Babalawo "Arabá Salau Adisá Arogundade", foi lançada sua pedra fundamental.
É formado em Bioquímica na Universidade de Lagos e é considerado Otunbá (Rei) em seu pais, devido a herança de família nobre e tradicional. Ciente da grandiosidade do contingente populacional de negros e afrodescendentes no Brasil, cujo tema é objeto permanente de suas pesquisas, o Otunba Adenkule Aderonmu idealizou o Centro Cultural Africano, que funciona na Cidade de São Paulo, instituição que tem como objetivos principais fazer o intercâmbio cultural, social e religioso entre o Brasil e o continente africano. Tem como missão fortalecer a solidariedade, a ética, a esperança, o talento, o respeito e elevação da auto-estima, além de manter vivas as tradições culturais africanas e afro-descendentes, contribuindo para o desenvolvimento do patrimônio oral, material e imaterial da humanidade.


No site www.ileifa.com.br Otunba Adenkule Aderonmu explica que dentro de sua história Orunmilà é um dos Ifá que Olodumare (Deus Supremo) mandou ao mundo para ser seu representante. Através dele os humanos sabem o amanhã. Para alguns ele estava junto de Olodumare quando este criou o ser humano, por isso que o chamamos de Eleri Ìpin - aquele que vê o destino - porque ele sabe tudo com sua inteligência podendo intervir junto a Olodumare. Ifá é o intermediário entre o homem e Olodumare, por isso é chamado também de Okitiripi a pa ojo iki da, aquele que pode mudar o dia da morte.

Seu nome correto é Òrun mó oolà (sabe o amanhã) ou Òrun mó eniti o màa la (sabe se a pessoa vai se salvar). Quando veio ao mundo residiu perto da cidade de Ekìtì, foi para Ado-Ekìtì e depois para Ijesa-Obòkun e finalmente fixou-se em Ile-Ifé.

Ifá conta com Osayin como seu auxiliar em seus feitos, por isso Osayin é considerado o rei das folhas. Quando Ifá estava ocupado, mandava Osanyi em seu lugar. Outro que fica próximo dele é Èsú.

Òrúnmilà é uma entidade que Òlodùmaré mandou para a Terra para ajudar a resolver os problemas dos homens. Orunmila usava Ifá para adivinhar os problemas do homem. Esse Ifá se chama Ikin[1] e ele usava dezesseis ikin para fazer a advinhação. Cada um desses ikin representa um odú.


Èjiogbè

Òyèkú méji

Èdí méji

Òbarà mèji

Ònkonròn mèji

Iròsun mèji

Ìwòrì mèji

Ògundá méji

Òsá mèji

Òsé mèji

Ologbon mèji

Òrète méji

Òturà méji

Orangìn méji

Eká méji

Todos esses odú são diferentes entre si e possuem outros dezesseis.

Há algum tempo atrás não se fazia nada na sociedade Yorubá sem consultar antes Ifá. Habitualmente consulta-se Ifá antes de contrair matrimônio, para tirar duvidas a respeito de negócios, problemas espirituais, problemas com doenças etc.

Acesse o site do Centro Cultural Africano

http://www.centroculturalafricano.org/

Diamantino Fernandes Trindade (Ifasoya)

Membro do Centro Cultural Africano
Omo Ifá do Ile Ase
Ifá



[1] Ikin ou no plural Ikins são coquinhos (nozes) de um tipo especial de palmeira de dendê que ao invés de apenas dois olhos como nas palmeiras comuns, apresentam três ou mais olhos. Para serem usados para fins divinatórios no Culto de Ifá tem todo um ritual de extração e preparo especial prévio.

JURAMENTO DO UMBANDISTA


Ao abraçar a fé UMBANDISTA

Eu juro solenemente

Perante "DEUS E OS ORIXÁS

Aplicar os meus dons de mediunidade somente para o bem da humanidade

Reconhecer como irmãos de sangue, os meus irmãos de crença

Praticar com amor a caridade

Respeitar as leis de "DEUS" e as dos homens, lutando sempre pela causa da JUSTIÇA E DA VERDADE

Não utilizar e nem permitir que sejam utilizados os conhecimentos adquiridos num terreiro, para prejudicar a quem quer que seja.

Ronaldo Linares


A imagem mostra médiuns do Barco 27 de Formação de Sacerdotes da Federação Umbandista do Grande ABC após a Obrigação à Oxalá fazendo o juramento (2010).

OBRIGAÇÃO À OXALÁ


Médium, do Barco 27 de Formação de Sacerdotes da Federação Umbandista do Grande ABC, sendo consagrada na Obrigação à Oxalá na Casa de Pai Benedito (2010)

RITO DE INVERNO 2


Mestre Hanamatan durante o Rito de Inverno na Cabana de Pai Benguela

RITO DE INVERNO 1


Consagração de médium durante o Rito de Inverno na Cabana de Pai Benguela