quinta-feira, 12 de junho de 2014

O PRIMEIRO ARTIGO DE W. W. DA MATTA E SILVA NO JORNAL DE UMBANDA (1954)

ALGO SOBRE A UMBANDA

 W. W. da Matta e Silva 

 Jornal de Umbanda, Julho de 1954, n. 44 


 Alerta umbandistas! A Bandeira de Ogum está desfraldada; toda Banda está em demanda, contra a Confusão e a Ignorância, que campeiam e imperam por aí, em certos Centros que se dizem de Umbanda. Saibam todos, Irmãos de Lei, que Ela não vem sendo praticada como deveria ser, mesmo na maioria nas Tendas e Cabanas existentes. Ela não é esse “Coquetel” de Africanismos, Candomblés e Linhas de Chão, em pleno “Sabat”.Saibam ainda os bem intencionados em sua Fé: Na maioria esses “médiuns” que afirmam “receber” Pai esse, Pai aquele, Caboclo tal, não “recebem” coisa alguma, podem ser incluídos no rol dos sugestionados pela vaidade, na dos mistificadores conscientes, e na dos simples e ingênuos. 
Se quereis provas observai-os apenas... Por exemplo: Vede com que facilidade lançam mão da Pemba e riscam setas, estrelas, sóis, luas, lanças e espadas, tudo bem desenhado copiado e aprendido nesses livros, que ensinam “Mirongas”, ou traçam riscos sem “pé nem cabeça”, onde não se identifica o mais leve sinal da Lei de Pemba, esotérica e profunda. Alerta umbandistas sinceros, que possuis uma mente para pensar e discernir: Esses “Médiuns” não o são de fato e de direito, seus “dons” não o capacitam para incorporar Entidades da Luz de um Xangô, um Ogum, e muito menos de um legítimo Pai Preto, que são os mais mistificados, a ponto do “cavalo” escolher  o nome do guia que tem simpatia, em vez de ser escolhido, de acordo com as suas afinidades nesse Plano, se for o caso. Meditai umbandistas! Sabeis que o mediunismo existe, existirá e sempre existiu, desde quando a pesquisa nos leva a estudar a origem de qualquer Seita, Religião ou Ciência, que nos vem através dos milênios sob vários nomes e formas. Portanto digo e afirmo com toda convicção: a Lei de Umbanda existe; não nesses Templos luxuosos onde predomina a vaidade, cujos Médiuns são qualificados em relação à posição social e financeira; não nesses “terreiros” onde se batem tambores, atabaques e palmas e os coités correm de boca em boca no gargalho anímico dos “cavalos de Exu”, que na mais alta de suas concepções, creem nesses espíritos como “divindades de dupla personalidade” senhores da força que faz e desfaz.Digo e afirmo que as Entidades que cumprem Missão no plano de Umbanda e dirigem sua Lei, sabendo onde e como funciona a Lei de Causa e Efeito (o Carma como dizem os hindus), podendo e fazendo muito para suavizar as nossas provações esclarecendo quais ações negativas de um passado, gerou um presente estado de coisa, e mostrando conforme o caso, os meios mais hábeis a tal fim; não devem ser chafurdadas e confundidas, menos por ignorância, do que por má fé ou esperteza.Afirmo com convicção e conhecimento que a chave dessas Verdades ocultas abrem as Portas do Templo de Umbanda em sua parte esotérica àqueles que merecem e forem senhores de um psíquico  forte, deixando o exterior com seus Mitos e suas Formas aos que, ambiciosos e cheios de empáfia, devem permanecer circulados, nessa outra parte – a Exotérica.Médiuns, alerta. Fazei nova afinação em vossas correntes fluídicas, pois, ao aferir essas vibrações, ficareis surpresos e tremereis; tremereis porque, não mais ouvireis o grito de Ogum no alto das Serras; nem o brado de Xangô, Senhor da Tempestade, dono das Cachoeiras; nem o assovio de Oxóssi, Rei das Matas. Apenas escutareis, vindo de longe, bem longe, do Reino de Aruanda, o lamento de Pai Preto, chorando... E pela brisa que vem do mar, a voz soluçante de Mamãe Oxum, que diz: “eu perdoo, mas busquem a Luz da Verdade”.  

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