quarta-feira, 26 de novembro de 2014

JESUS E OS ESSÊNIOS

A Ayom Records lançou hoje a fantástica obra "Jesus e os Essênios: o ensinamento secreto de Jesus" do célebre autor Edouard Schuré.


O livro foi traduzido e apresentado por Diamantino Fernandes Trindade.


Vale a pena ler.

(11) 3499-6152

(11) 94970-0028

www.ayomeditora.com.br




quarta-feira, 19 de novembro de 2014

LEAL DE SOUZA




Última foto de Leal de Souza-tabelião quando assistia o casamento de seu segundo filho Victor José.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

LANÇAMENTO


A Editora do Conhecimento lançou hoje o livro (organizado por mim) "História da Umbanda no Brasil - Volume 2
"A Umbanda nos jornais do Rio de Janeiro"

A história da Umbanda é uma grande pesquisa em construção. Sua divulgação é necessária para que os umbandistas e adeptos dos cultos afro-brasileiros conheçam cada vez mais suas origens e desenvolvimento. Depois do sucesso da obra História da Umbanda no Brasil, este segundo volume presenteia o leitor com diversos textos perdidos no tempo, de autores consagrados, em jornais e revistas já extintos do Rio de Janeiro, berço da Umbanda. Matta e Silva, Capitão José Alvares Pessoa, João Severino Ramos, Olívio Novaes, Floriano Manoel da Fonseca, J. Alves de Oliveira, Reynaldo Xavier de Almeida, João Severino Ramos, Lourenço Velho, Yataman, Jayme S. Madruga, Sabino Catalini, Ubiratan de Lemos e outros estão presentes em matérias dos periódicos: Jornal de Umbanda, O Semanário, Diário Carioca, Ultima Hora, Diário de Notícias, O Imparcial, A Noite, A Manhã, Correio da Manhã, Diário da Noite, O Paiz, O Pasquim, O Cruzeiro e Revista da Semana.
Algumas reportagens trazem mais luz sobre a grande missão do Exu Sete da Lira, fenômeno de massa dos cultos afro-brasileiros nas décadas de 1960 e 1970, e o emblemático Primeiro Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda, em 1941. O autor faz interessantes abordagens sobre as relações entre a Umbanda e as macumbas cariocas, e sobre o lançamento do primeiro selo comemorativo da Umbanda. Joãozinho da Goméia, Grande Otelo e Lilia Ribeiro também estão presentes nesta obra, que dispõe de uma brilhante galeria de imagens.
Este segundo volume é direcionado para os umbandistas e espiritualistas em geral que desejam conhecer os escaninhos da memória umbandista sob a ótica da imprensa carioca.

GANTOIS




Thereza - uma das primeiras filhas de santo do Candomblé do Gantois na Bahia.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

ESCREVENDO SOBRE A UMBANDA

É muito complexo escrever sobre a Umbanda, pois ela arrebanha todo tipo de consciências, em função da diversidade de ritos.
Deixo claro que é minha opinião, que não espero que mude a de alguém. Apenas creio que seja um ponto de reflexão.
A Umbanda é uma escola evolutiva, onde somos alunos e professores de nós mesmo, mas, como em toda sociedade, o Astral Superior escolhe um líder espiritual, um dirigente para conduzir as almas ao caminho de Luz e de conhecimento.
Certamente não é uma missão fácil, pois, cada ser está em um estágio pessoal de evolução. Assim, todo respeito é necessário nesse processo de ligação, inclusive entre o mestre e o adepto.
Atualmente a internet oferece um acesso instantâneo ao "conhecimento", do mesmo modo que, concomitantemente, tornou vulgar e profano segredos religiosos tradicionais. Enfim, as informações são desencontradas e trazem uma confusão incomensurável.
Outrossim, o nosso mundo mercantilista é afoito por vaidosos que anseiam pelo "poder", através de conhecimentos inócuos, de diploma de sacerdócio que infelizes cursos VENDEM, depois, de frequentar algumas aulas e fazer algumas obrigações, gerando centenas de sacerdotes que não possuem qualquer conhecimento real, vivência, muito menos equilíbrio pessoal. Enfim, pessoas sem qualquer missão sacerdotal são diplomadas como Babalawôs ou Magos disso ou daquilo...
Certamente, no meio desse tantos diplomados existirão sacerdotes de fato e de direito... Contudo, esse diploma/curso não os habilitará, apenas dará um diplominha...
Tão ignorantes são que chamam sacerdotisas de Babá, quando esse termo yorubá se traduz por PAI. No caso feminino, o correto é Iya, que é MÃE, ou seja, Iyalorixá
Ser sacerdote virou modismo... Em uma ganância eterna pelo eterno poder magístico. Pobres Almas...
Sacerdotes não se fazem em sala de aula, não se formam em cursinhos, afinal, não se conquista conhecimento sagrado dessa forma... Pasmem: até curso pela internet já existe...
A Umbanda é contemplação silenciosa, é vivência, é respeito pelo sagrado, é luta do bem contra o mal e, sobretudo, é um exercício de humilde... É reflexão constante!
SACERDOTES NASCEM SACERDOTES... Os ritos e iniciações, apenas, consagram em ordens e direitos aqueles que já foram predestinados a tal encargo, oficializando e ofertando saberes "secretos" aos que vão conduzir seus pares pelo caminho da Luz.
Em minha opinião, existe UMBANDA, pouco importa se ela é sagrada, branca, mista, traçada, colorida, esotérica... Em primeiro lugar, Umbanda tem que ser Umbanda, não permitindo invencionices (magia disso ou daquilo), nem tão pouco, trazer cultos afros para dentro do ritual... Nosso modelo de Umbanda já está aí, pois, Zélio Fernandino de Moraes, deixou um legado... Estudemos a história da Umbanda! No que pese a Umbanda aceitar e correlacionar conhecimentos de várias tradições, ela é Umbanda!
Por exemplo, nos Cultos Africanos e de Matriz Afro-Brasileira existem quatro tipos (especialidade) de Sacerdócio:
- Babalawo - Pai de Segredo: são os sacerdotes do culto de Ifá;
- Babalorisa - Pai de Santo: são os que cultuam Orixás;
- Babalosanyin ou Onisegun - Pai dos segredos das Folhas (Ewe)
- Babaoje ou Mariwo - Pai do Culto de Egungun, sendo membros da sociedade secreta dos Mariwo.
Contudo, na Umbanda, o termo correto é apenas PAI ESPIRITUAL. Pois, apesar da Umbanda possuir íntimas relações com os cultos afro-brasileiros, não faz parte deles.
Por derradeiro, o Pai de Santo de Umbanda é denominado, apenas, de Pai...
A Umbanda vem trazendo uma mensagem de simplicidade! A função do Pai Pequeno ou Mãe Pequena na Umbanda, não é sacerdotal. Em verdade é um assistente ritualístico imediato do Pai Espiritual, um cargo de confiança.
Frise-se que, o Pai Espiritual de Umbanda cuida dos Orixás, através da ligação com os Guias e Entidades (Ancestrais/Egungun), bem como, manipula os axés das folhas sagradas, pertinentes ao culto de Umbanda. Logo, a função do Pai Espiritual, ao modo da Umbanda, é completíssima...
Dentre as funções do Pai Espiritual, a mais importante é demonstrar aos adeptos, a essência sagrada em tudo que lhe for pertinente...
Conclamo a todos que, comecemos a completar nosso ritual, para que possamos nos situar dentro dos trabalhos, com responsabilidade e comprometimento, visando nosso próprio crescimento, enquanto almas em evolução.
Lembremos que cada umbandista representa a Umbanda!
Preocupemos-nos menos em ser Magos, Babá, Iyá Mestre e sejamos médiuns, para que assim, com trabalho, dedicação, amor e caridade, consigamos cumprir aquilo que cabe dentro de nosso carma, por que a oportunidade de avançar na seara espiritual está aí.
Que a Luz de Oxalá nos guie pelo caminho da pureza, da humildade e da sabedoria!

Douglas Garcia Neto


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

" A OFERENDA CERTA"

Em 1981, a Charutos Pimentel lançou os charutos específicos para Orixás e Exu.
Pelo menos no rótulo eram diferentes.




VALE DOS ORIXÁS

Convite para a inauguração do Vale dos Orixás, em Juquitiba, em 27 de junho 1982.


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

JORNAL DE UMBANDA - TESTEMUNHA DA HISTÓRIA DA UMBANDA

Em 1949, com a liderança de Zélio de Moraes, a UEUB lançou um periódico denominado Jornal de Umbanda que teve a colaboração de W.W. da Matta e Silva, Capitão José Álvares Pessoa, Olívio Novaes, Floriano Manoel da Fonseca, J. Alves de Oliveira, Reynaldo Xavier de Almeida, João Severino Ramos e Cavalcanti Bandeira. Durante duas décadas foi o porta voz da UEUB, além de ser o mais importante veículo de divulgação do Movimento Umbandista da época. O primeiro número foi confeccionado na sede da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade. Raros exemplares são encontrados atualmente.
A Congregação Espírita Umbandista do Brasil (CEUB), fundada em 20 de janeiro de 1968 por Tata Tancredo da Silva Pinto, possui 45 exemplares do Jornal de Umbanda do período de 1953 até 1961. A Senhora Fátima Damas, atual presidente da instituição disponibilizou esse acervo que chegou até as minhas mãos através do Coronel Carlos Soares, nosso companheiro de pesquisas. Assim, sou o fiel depositário deste incrível acervo histórico.
A Congregação Espírita Umbandista do Brasil (CEUB), fundada em 20 de janeiro de 1968 por Tata Tancredo da Silva Pinto, possui 45 exemplares do Jornal de Umbanda do período de 1953 até 1961. A Senhora Fátima Damas, atual presidente da instituição disponibilizou esse acervo que chegou até as minhas mãos através do Coronel Carlos Soares, nosso companheiro de pesquisas. Assim, sou o fiel depositário deste incrível acervo histórico.

Algumas matérias desse acervo serão disponibilizadas no livro "História da Umbanda no Brasil" - Volume 2


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

CONSULTAS PAGAS


Placa em terreiro do Rio de Janeiro (1960)


sábado, 27 de setembro de 2014

POMBAGIRA AUDARA MARIA INCORPORADA

Pombagira Audara Maria (esposa de Seu Sete da Lira) incorporada em Dona Cacilda de Assis. 


Acervo de Cristiam Siqueira.


terça-feira, 23 de setembro de 2014

CALENDÁRIO DE OUTUBRO

GIRAS DE CARIDADE NA CABANA DE PAI BENGUELA EM OUTUBRO

Dia 4 (sábado) - Gira de Caboclos e Exus - 18:30 h

Dia 10 (sexta-feira) - Gira de Pretos Velhos - 20:30 h

Dia 17 (sexta-feira) - Gira de Baianos - 20:30 h

Dia 24 (sexta-feira) - Gira de Exus e Pombagiras - 20:30 h

Dia 31 (sexta-feira) - Gira de Crianças


Rua Almirante Lobo, 981 - Ipiranga
São Paulo - SP 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

domingo, 14 de setembro de 2014

O HISTORIADOR

É impossível ao historiador a imparcialidade. Desde a coleta de documentos até a redação do trabalho são feitas escolhas, que não são causais. Qualquer tentativa de escrever sobre um fato ou período histórico envolve seleção, julgamento e pressupostos metodológicos. A História não pode ser nunca puramente descritiva, pois sempre haverá elementos de avaliação em qualquer relato. Sendo assim, o máximo que um historiador pode fazer no seu trabalho é alcançar uma face da verdade, que não é absoluta e sim variável de acordo com as condições que se apresentam no momento da escrita.
Quem não gostar do que um historiador escreve deve procurar textos de outro historiador que escreva aquilo que ele ou seu ego desejam ler.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

UMBANDA NÃO É MACUMBA!

Reportagem de Sabino Canalini  


Revista da Semana, 5 de Dezembro de 1951, n. 50


Sempre que se fala em terreiros e em sessões espíritas pela Lei de Umbanda a maioria das pessoas esconde a curiosidade ou a ignorância sobre o assunto atrás de classificações mais ou menos desairosas a respeito de matéria tão delicada.Em geral tem-se o terreiro como lugar em que se pratica o baixo espiritismo. Mas não é fácil definir o que seja o alto espiritismo.Dizem-na ilegal, isto é, praticada fora da lei, acobertada pela noite, em lugares escusos, escondendo sempre segundas intenções. Infelizmente acontecem às vezes fatos que quase comprovam a veracidade de tais opiniões. É recente o caso de Campos, onde, pela influência maléfica de um falso pai de santo, entregou-se um homem ao horripilante banquete de carne de defunto, em obediência à receita imposta por quem “diagnosticara” o mal. Seres perversos existem em todas as coletividades humanas e não é pelo exemplo dado por eles que devemos generalizar sobre essa ou aquela sociedade. Grande parte das interpretações erradas sobre a Lei de Umbanda é devida ao desejo de seus praticantes se manterem afastados de qualquer propaganda, evitando sensacionalismos prejudiciais. Daí, porém, até chegar à ilegalidade, há muita diferença. Para desfazer impressões que poderiam causar dúvidas, fomos procurar no Encantado, o Terreiro Abalauaê.

Consultando seus dirigentes, soubemos que o funcionamento é permitido por alvará, tendo o Diário Oficial de 27 de setembro de 1947 publicado a ata de fundação da sociedade e seus estatutos, nos quais reza que a finalidade é caridade moral, material e espiritual por todos os meios ao seu alcance.Assistência social, médica, instrutiva. O que diz respeito à medicina não é praticada sem base, contando com os cuidados profissionais gratuitos de um facultativo. E isso pode ser verificado em todos os centros espiritas! Em alguns vimos verdadeiras clinicas, o que demonstra que a difícil arte de curar não é adotada por empirismo.

Quanto à assistência material, isso quer dizer que aos que não tem meios suficientes, os remédios são doados. As consultas não são pagas. Para sustento da organização, conta o terreiro com um quadro social, como outra qualquer agremiação. Todos, sem distinção, podem usufruir o que de boa vontade é oferecido nesses centros.

Todo cuidado é pouco na escolha dos mesmos, pois há a possibilidade de se cair nas malhas de espertalhões, como o de Campos. Os que dirigem o terreiro não vivem dessa atividade: todos tem profissões diversas que praticam para tirar o suficiente à vida cotidiana. Comerciários, em sua maioria, bancários, industriários, comparecem às sessões por uma necessidade espiritual, para beneficiar um pouco o próximo com os poderes que os médiuns recebem do alto. O que mais impressiona, especialmente aos calouros, é o ritual, considerado bárbaro, atrasado, indigno dos nossos foros de pais civilizados.
Na realidade é uma das facetas mais focalizadas quando a quer descrever o Brasil nos países estrangeiros. Tudo o que é exótico serve de publicidade. Poucos sabem, no entanto, que a “macumba” não é realizada apenas em nosso pais. Na velha Europa, em que a cultura atingiu sua culminância, na própria supercivilizada França, há populações tão atrasadas quanto as nossas, onde até a magia preta é levada a efeito. Antes de mais nada queremos dizer que o termo “macumba” é impróprio. Dá-se esse nome a um instrumento indígena, tipo de reco reco, e de macumbeiro a que o toca. O espiritismo admite a possibilidade dos feitiços, com intenções maldosas e até funestas. É a finalidade da Quimbanda.

Para atenuar a ação dos espíritos maus que atuam nessas sessões é que surgiu a Lei de Umbanda, bem mais antiga do que o descobrimento do Brasil. Trazida talvez pelos escravos, de mistura com a liturgia dos índios aborígenes, mais os ritos medievais que os perseguidos da inquisição europeia infiltravam pelos navios lusos e os corsários de muitas outras nacionalidades, formou-se o que poderá ser conhecido como ritual brasileiro. Não é mais pura, amalgamou-se com a religião católica, de quem adora os santos e é dedicada especialmente a quem, pela cultura própria, não poderia admitir coisa superior. Não há nisso nenhum desprezo de nossa parte. Apenas reconhecemos o fato de que se todas as pessoas, na face da terra, possuem, por esta ou aquela razão, a mesma instrução, educação e base de conhecimentos da vida, sua evolução e seus mistérios.Já fizemos confronto com os três graus da instrução comumente aplicada em nossas escolas. Já chamamos a atenção para os que pareciam se enfadar nas sessões dirigidas por Chico Xavier em Pedro Leopoldo. Para esses é quase incompreensível uma cerimônia em que não haja um pouco de religião, um pouco de música, um pouco de dança, cantos e um pouco de medicina. Isso é muito parecido com o que se pratica por aí como última novidade saída dos mais adiantados laboratórios de pesquisas transcendentais. Por ser praticado por gente humilde, não merece nosso desprezo. A influência dos africanos na formação de nossa nacionalidade é enorme.O folclore incumbiu-se de recolher os ritmos, os cantos e os “passes” dos tristes e melancólicos pretos violentamente arrancados de seus países de origem. O sentimentalismo dos negros de Luanda continua a influenciar seus descendentes, inclusive numa doutrina que aos poucos está se firmando, pela maior compreensão de suas finalidades. Nem todos podem admitir um raciocínio baseado no kardecismo assim como nem todos podem admitir que a terra gira no espaço ou apenas, como agora, que a hora de verão nada tem a ver com a política. Falta de instrução, eis a principal falha de nossa sociedade. Os terreiros vivem cheios de frequências as mais heterogêneas, inclusive de pessoas que pelo ambiente em que vivem, pela posição social que ocupam, estão na obrigação de possuir maior cultura.

A curiosidade ou pedidos estranhos são os motivos que os animam a frequentar os terreiros. A finalidade do espiritismo não é atender aos desejos dos candidatos nas eleições para serem bem sucedidos, ou para ajudar os estudantes em período de provas, para passar de ano. A humanidade conta com a força de vontade e com o livre arbítrio justamente para resolver esses casos de sua exclusiva alçada. O mérito deve ser unicamente do homem, de outra forma seria lícito também pedir um palpite para o jogo do bicho. O que o espiritismo ensina é a viver segundo os preceitos do Cristo, no amor ao próximo e para o bem da humanidade. Essas regras universais podem ser observadas inclusive na Lei de Umbanda repetimos, que deve ser considerada como o segundo estágio do aperfeiçoamento da alma humana.
O bem e o mal se degladiam continuamente: depende de nós, unicamente de nós, escolher o caminho. Umbanda não ensina o mau caminho. 


terça-feira, 2 de setembro de 2014

SEU SETE DA LIRA

SEU SETE DA LIRA NO PROGRAMA FLÁVIO CAVALCANTI EM 1971


Fonte: Cristian Patrick Moraes Silva de Siqueira

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O SEGUNDO MILAGRE DE IEMANJÁ

Capitão José Alvares Pessoa


Jornal de Umbanda, Fevereiro/Março de 1956, n. 63/64


A Igreja Católica Apostólica Romana não se conforma com a avassaladora propagação, em todo pais e principalmente no Rio de Janeiro, do culto de Iemanjá, a soberana dos mares, a senhora do mundo e a rainha do Cosmos.
E, pela segunda vez, julgando-se detentora máxima do poder, resolveu, nos fins do ano passado, tentar acabar com o ritual que no dia 31 de dezembro, à meia noite, os devotos umbandistas vêm realizando há vários anos nas praias, para prestar homenagem à dona dos mares e receber suas benções e suas graças e assim entrar bem o ano novo.
Com esse objetivo, o cardeal Jaime Câmara e o seu coadjutor Arcebispo Helder Câmara determinaram que se realizasse no dia 31 de dezembro uma procissão-monstro, que deveria sair do Hotel Leblon e, percorrendo todas as praias da zona sul, terminaria no Russel, onde armado, à custa do dinheiro do povo, esbanjando nababescamente pelas autoridades civis, se achava o altar onde seria realizada uma pomposa missa, acompanhada de foguetes, fogos de artificio etc.
A coisa foi trombeteada em todos os jornais, sendo convocados para o seu acompanhamento todos os cidadãos do Distrito Federal e do Estado do Rio e obrigados a tomar parte, por ordem superior, os garbosos componentes do esquadrão dos Dragões da Independência e os valorosos soldados da Polícia Militar.
Tudo muito pomposo, muito reluzente, muito chic.
Mas, não se tratava como, era apregoado, de encerrar-se o ano Eucarístico, com uma homenagem à Senhora de Fátima, que no andor, seria levada até o Russel.
  Cavilosamente, como é do seu hábito, os padres da Igreja de Roma só tinham um objetivo: prejudicar as festas de Iemanjá.
Estava na cara, como se diz na gíria carioca. Os próprios indiferentes comentavam o caso.
Os padres católicos nunca festejaram com manifestações religiosas públicas a passagem do Ano Novo. Nem aqui no Brasil, nesses seus 400 anos de existência depois da descoberta, nem da Europa, nem em qualquer parte do mundo se tem notícia de que a Igreja de Roma tenha promovido um ritual religioso em tão grande dia.
No Natal, sim. É tradição dos padres católicos a missa do galo, realizada à meia noite nas igrejas, e nas cidades do interior em praça pública, essas chamadas missas campais.
Tomando conhecimento do assunto, os umbandistas preparam-se para mostrar aos reverendíssimos que estariam a postos para o cumprimento do seu ritual, COMO DE FATO ACONTECEU, não se misturando de modo algum aos devotos da Igreja que naturalmente iriam acompanhar a procissão.
Consideraram o caso como uma verdadeira provocação. Mas a resposta seria dada nas praias com as invocações à doce Mãe de Umbanda.
Mas quem dispõe do poder na terra não deve desafiar o poder dos Céus!
Iemanjá – que é a representação material na terra da energia divina em movimento, a senhora absoluta dos elementos – vendo a malícia que se aninhava no coração dos padres de Roma, resolveu mostrar-lhes que se eles propõem, Ela é quem dispõe. A última palavra é Sua e Ela, que é toda misericórdia e bondade para com os humildes, castiga sem pena os que, orgulhosos, se imaginam alguma coisa.
O dia 31 de dezembro amanheceu até bonito. Parecia que os homens de Roma iam ter uma linda festa e que, com o poderio de que dispõem e com o dinheiro do povo que lhe tinha sido dado de mãos beijadas, abafariam, humilhando os pequenos umbandistas, que, pensavam eles, ficariam às moscas nas praias.
À tarde caiu um terrível temporal. Mas logo, como chuva de verão, amainou: o céu ficou azul. Veio a noite. E às dez horas, mais ou menos, justamente à hora em que os devotos católicos se dirigiam para o local aprazado, congestionando o tráfego da zona sul, para atender ao convite, tão repetidas vezes trombeteado pelos jornais, começou a cair uma chuvinha impertinente, miudinha, que foi engrossando, até tornar-se torrencial lá para as onze horas e assim permanecendo por toda a madrugada do dia 1 de janeiro.
A procissão ainda chegou a arregimentar-se e a pôr-se em movimento, Mas, não havia devoção que resistisse à chuva no lombo e como enterro de pobre o carro que conduzia o andor da Senhora de Fátima seguiu só o seu melancólico roteiro, acompanhado apenas pelos “Dragões da Independência”, e esses mesmos tiveram que dispersar-se, refugiando o andor noutras bandas, porque à Praia do Russel, ONDE NÃO HOUVE MISSA NEM NADA, não chegou.
Iemanjá fez pela segunda vez o seu milagre, mostrando aos orgulhosos homens de Roma que eles são pó e nada mais.
As chuvas rolaram. Como em dezembro de 1954, quando o Cardeal Câmara lembrou-se de, pela primeira vez, desafiar Iemanjá, tentando empanar o brilho de suas festas com uma missa no dia 31 no aterro da chamada Praça do Congresso.
E as chuvas rolaram e rolarão sempre até que a malícia se afogue no coração dos homens maus que não tem sentimento de fraternidade, que são egoístas e intolerantes e não querem respeitar o modo por que os outros adoram a Deus. E as chuvas rolando não prejudicam o ritual dos umbandistas, que é feito dentro da água.
Que não se esqueçam os arcebispos Câmara – Jaime e Helder – que Iemanjá é a senhora das águas e as fará rolar, ou para transformar em tremendal uma praça, como a do Congresso em 1954, ou para afogar os ímpios que se atrevam a desafiar a sua força... 






A MAGIA E SEUS MISTÉRIOS



Capitão José Alvares Pessoa

Discurso pronunciado na Tenda São Jerônimo
em 30 de setembro de 1955


Jornal de Umbanda, Outubro de 1955, n. 59

  
Meus amigos!
O hábito é uma segunda natureza e é pela força do hábito que neste dia de São Jerônimo, que nos é tão caro, mais uma vez vos dirijo a minha palavra de fraternal amizade.
Estamos todos de parabéns, comungamos a mesma alegria e os nossos corações batem em uníssono, obedecendo ao ritmo que em nós canta sob a inspiração do sentimento puro dessa fraternal amizade.
E tudo isso sob a influência da magia de Xangô, que nos traz unidos há mais de 20 anos, no mesmo ideal cristão de fazer o bem a todos os que buscam a sua Casa, ainda que isso nos custe os mais penosos sacrifícios.
Meus amigos, ao falar-vos da magia de Xangô, vem-me à mente os inúmeros benefícios que, antes dos outros, nós mesmos da corrente temos recebido; das vitórias que temos conquistado, na árdua luta de cada dia, para manter a tradição de espiritualidade do terreiro de Xangô; dos sofrimentos que juntos temos suportado nas horas amargas da perseguição que não nos tem faltado; das alegrias pelo dever cumprido; das provas de lealdade que temos recebido de não pequeno número de amigos devotados!
E tudo isso nos leva a crer na Humanidade, no dia incerto do amanhã e sobretudo na incomensurável bondade daquele que é tudo para nós, Pai, Guia, Santo, o nosso incomparável São Jerônimo, que nunca nos faltou.
 A minha alma se eleva, neste momento num hino de fé e de amor ao nosso adorado Patrono, para render-lhe o preito da minha mais profunda gratidão e para pedir-lhe que jamais nos abandone.
Meus amigos, também a magia de Xangô lembra-me o tema, que me fala tão de perto ao coração, da magia e seus mistérios.
“Toda a ciência ao lado da magia é menos do que uma candeia ao lado da luz do astro do dia”, diz o imortal teósofo espanhol Mário Roso de Luna.
É um tema que fascina e sobre o qual, abusando da vossa paciência, resolvi fazer algumas considerações. Considerações ligeiras, porque mesmo que eu dispusesse das 24 horas do dia para discorrer sobre matéria tão relevante não a esgotaria.
Antes de mais nada: o que é a magia?
Para os letrados (aos milhões) do século em que vivemos é superstição grosseira, ignorância e exploração da credulidade humana.
Mas, nós que lidamos com a magia, que a realizamos, que vemos os seus milagres diários, sabemos que magia é a ciência da vida e da morte, é a ciência do bem e do mal, é a arte magna que nivela o homem aos deuses.
A magia, segundo o sábio Adolfo Weiss, que a estuda a luz das ciências oficiais, revela-se irmã maior da moderna física dos raios e seus domínios. É aquele mundo intermédio, entre o mundo conhecido ou material e o do éter, sobre o qual apenas se pode fazer conjecturas.
E acrescenta aquele ilustre sábio: a magia é, portanto, uma ciência dos fluídos que constituem um ramo conhecidíssimo das ciências naturais.
O que fazemos nós em Umbanda, meus queridos amigos? Aproveitamos, por processos de magia, os fluídos, que a ciência reconhece e que enchem o espaço que nos rodeia, para aplicá-los em benefício da humanidade sofredora.
E de que meio nos valemos para a aplicação desses fluídos?
Todos nós que frequentamos as Tendas de Umbanda sabemos como se realizam as suas sessões de magia e como chamamos os nossos Guias, que outra coisa não fazem senão manejar esses fluídos com a sua incomparável maestria.
Lemos ainda em Adolfo Weiss que “no universo existem forças encarregadas por Deus, que se chamam anjos ou demônios, gênios ou espíritos. São inteligências imateriais. Esses gênios possuem faculdades peculiares com as quais podem exercer , sob certas condições, uma influência relativa sobre a Natureza. Cada um dos gênios tem nome, número e signo determinados. Estas três características servem para chamar o gênio respectivo a fim de que cumpra algum encargo na esfera dos fenômenos naturais que lhe são adequados”.
Nunca ninguém disse tanto, em tão pouco, que melhor pudesse caracterizar a verdadeira natureza dos admiráveis Guias, que sob a denominação irrisória de Caboclos e Pretos Velhos vem fazer caridade nos terreiros de Umbanda aos orgulhosos senhores da Terra.
São os nossos Guias, gênios ou inteligências imateriais, como os qualifica o sábio alemão, os Mestres da magia natural, os manipuladores dos fluidos que curam as moléstias físicas ou psíquicas, os trabalhadores do laboratório do astral, este mundo intermédio a que já aludimos, que em Umbanda chamamos Linha das Almas.
É a manipulação desses fluídos, boa ou má, com objetivo de curar ou de matar, de fazer a felicidade ou a desgraça de alguém, é o que se chama magia.
O tema é empolgante.
A magia, que é tão velha como o mundo, ou mais velha, tem tido seus períodos de fastígio e decadência, tem imperado sobranceira e vivido ocultamente, sob mil disfarces, em terríveis épocas de perseguição. Mas nunca deixou de ser exercida, fosse qual fosse a sorte reservada aos seus adeptos, ora chamados de alquimistas, ora de bruxos, feiticeiros, magos, negros etc.
 Não sendo religião, todas as religiões a praticam, mesmo inconscientemente, ou ignorando que a fazem os seus sacerdotes, quando realizam cerimônias, que outra coisa não são senão operações de alta magia.
Na Igreja Católica, que tanto combate nos tem feito, procurando o nosso aniquilamento, são outros tantos aos mágicos a missa celebrada diariamente nos seus altares, os batizados, os casamentos, as encomendações dos cadáveres e todos os chamados sacramentos.
O padre invoca, ao realizar qualquer cerimônia litúrgica, os seus santos, para nós espíritos, gênios ou inteligências imateriais, que tem um nome, um número e um signo ideográfico determinados.
Reparemos os símbolos usados nas igrejas, os objetos do culto, as imagens, a roupa ritualística bordada com signos misteriosos, que os sacerdotes vestem, as palavras que pronunciam ou cantam, absolutamente cabalísticas, as essências olorosas que queimam, a água com se aspergem, os mil e um passos ritmados que dão ao realizarem a cerimônia, os gestos mágicos que fazem etc.
Tudo isto é magia, com outro rótulo para o povo ignorante.
E não se pejam de dar-lhe combate, a insultar-nos, como ainda em princípios deste ano fez o Cardeal Câmara.
Despeitado por não ter podido realizar, a 31 de dezembro passado, a tão propalada missa, na então inacabada Praça do Congresso Eucarístico, missa que tinha como primordial objetivo tirar o brilho das festas que anualmente realizamos nas praias da cidade maravilhosa e do Estado do Rio, aquele padre da Igreja Católica procurou ferir-nos, chamando-nos “emissários do inferno” e qualificando o nosso culto à Senhora dos Mares de “ridículo, degradante e pecaminoso”, Isto foi publicado no vespertino O Globo, de 8 de janeiro deste ano.
Mas os insultos não nos atingiram. E enquanto o cardeal se enchia de raiva, por não ter podido realizar a sua missa e assim desviar das praias a massa humana que para elas se deslocou, nós realizávamos, mais uma vez, com um brilho excepcional, a nossa festa de devoção, o nosso rito de magia à Divina Mãe de Umbanda e do Universo, aquela que não tem idade, porque é o próprio Deus com forma, ou em movimento, na sua eterna representação da divina energia.
Vale aqui um parêntese para uma amarga observação. É verdade que, para tristeza nossa, a maioria dos que se dizem umbandistas ainda se sente na obrigação de prestigiar os padres católicos, levando às suas igrejas os filhos à batizar, a fazer a comunhão, a casar etc., esquecendo, infelizmente, que são por eles desprezados e injuriados e nivelados a “emissários do inferno”. Mas, que se há de fazer? Eles sentem verdadeiro prazer em contribuir com milhares de cruzeiros para canalização da fortuna que anualmente é carreada para os porões do Vaticano! Recebem os benefícios que os Pretos Velhos e os Caboclos lhes proporcionam gratuitamente e como escravos vão pagar o tributo que lhes é cobrado sem piedade pelos padres da igreja, do jugo dos quais não conseguem libertar-se. É uma verdadeira infelicidade!
Mas, voltemos à magia, que em Umbanda praticamos conscientemente e com a certeza do bem que por seu intermédio pode ser realizado para felicidade da humanidade sofredora.
E como sabemos que o homem nada pode realizar por si só e que, como diz ainda o sábio Adolfo Weiss, tem que conformar-se com as leis da força de que deseja aproveitar-se, invocamos humildemente as poderosas inteligências imateriais, que constituem os Guias de Umbanda, que acorrem ao nosso chamado, feito com a mais pura e sincera fé, e que realizam, sob os olhos atônitos dos que os invocam, os milagres diários, que dão vida aos condenados à morte pela ciência, que proporcionam felicidade aos desesperados da Vida, que confortam o coração dos aflitos com as palavras de amor e esperança que sabem dizer quando é necessário, que levantam os espíritos abatidos pela dor e que nos mostram a cada passo como é vã e tola nossa vaidade e como são pequenos os que se julgam alguma coisa.
Meus amigos, façamos hoje, em homenagem ao Senhor da Magia, o nosso incomparável Xangô, um ato de fé nos destinos de Umbanda, a magia divina praticada nos terreiros, que será, em dia que não está longe, a religião do povo brasileiro.
Saravá Umbanda! Saravá Xangô!


sábado, 23 de agosto de 2014

A ÚLTIMA!!!


Entre julho de 1954 e dezembro de 1955 W. W. da Matta e Silva escreveu 16 matérias para o "Jornal de Umbanda". A maioria dessas matérias foi publicada nos livros "Umbanda de Todos Nós" e "Umbanda do Brasil".
Outra matéria importante foi publicada no jornal "O Semanário" (já disponibilizei aqui no blog). Duas dessas três matérias do "Jornal de Umbanda" já postei aqui no blog. Portanto, esta é a última que tenho no acervo.
É possível que existam outras matérias, mas, vasculhei durante meses os arquivos dos jornais da Biblioteca Nacional e nada encontrei. Tenho certeza que se for vontade do Astral (se elas existirem) chegarão até mim como tem acontecido há trinta anos quando iniciei a trajetória como historiador da Umbanda.


PREPARO DO MÉDIUM CONSCIENTE E INCONSCIENTE

W. W. da Matta e Silva

Jornal de Umbanda, Agosto de 1954, n. 45

Quanta presunção poderia conter esta afirmativa se, as simples verdades que vão ser expostas, não o fossem por demais sabidas, mesmo por aqueles que deviam ter obrigação de sabê-las. Presidentes de Tendas, Ogans, Sambas e Cambonos, Médiuns em desenvolvimento: aqui vão duas “fórmulas”, escolham a que mais sentirem verdadeira. A PRIMEIRA consiste em dizeres a qualquer um: tu és médium, estas “caindo de maduro”, para melhorares “disso ou daquilo”, combinado, inicias os preparos pondo-o logo para “rodar”, dando um pouco de “Curiá”, umas boas fumaçadas e “puxa” curimba. A seguir, com os progressos, preparas uma mistura de ervas e bebidas, inclusive a “marafa” e ainda um obi e um orobô (dois frutos que tem a “propriedade de abrir cabeça e amarrar” o Orixá) e leva-o ao mar ou à cachoeira, acenda velas, manda que se ajoelhe, despeja essa infusão na cabeça do dito, canta e chama o “Santo”; tudo isso com barulho de tambores, palmas e “pontos” bem gritados. Findo esse ritual podes considera-lo como “Amaci ou Batismo” – a teu critério. Não precisas saber se é consciente ou não, escolhas um nome de Guia bem bonito e presenteia-o, sendo que, até a “preparação” final, outras “afirmações” serão feitas, com ligeiras alterações, mas no todo o “preceito” é o mesmo.
Essa “fórmula” é muito eficaz, faz vibrar certas sensações que, alimentando instintos, afastam do “Ego” superior a reflexão e as concepções que poderiam penetrá-lo, deixando somente imperarem a ignorância e o fanatismo, armas poderosas que manejarás a teu bel prazer. E em consequência desse poder teu terreiro em curto tempo ficará superlotado. A SEGUNDA é pouco usada, por que: consiste em trazer a iluminação ao verdadeiro mediunismo, bem assentado e orientado, no reconhecimento e na experiência, que mostra como o psiquismo desperta as comunicações do Espiritual, e somente evolui, no silêncio pela concentração, ponto básico da iniciação de qualquer Escola. E, assim, quando assumires a responsabilidade de desenvolver um Médium, verifica primeiramente se esse Dom faz parte de sua provação imediata, como meio de resgate, e em certo caso positivo, deves conhecer se é veículo de efeitos físicos, consciente ou não. No caso de ser consciente (o mais comum), e portanto que vai exigir maiores cuidados, começaras por identificar sua Entidade de Guarda, ponto de apoio inicial a estampar na visão de seu mental. Então o farás entrar na corrente fluídica, pelo desenvolvimento e dirigirás sobre ele, vibrações com auxílio de um “Ponto” cantado e riscado, procurando fazê-lo sentir suavemente, com ritmo e harmonia, os fluídos que sua afinidade imantará pela presença da Falange que tenha sido chamada. E ensina-o a controlar o pensamento, sem o forçar, em concentrações dolorosas. E nas sessões para esse fim, passarás a observar o seu adiantamento, e fiscalizarás suas “dúvidas”, que serão os grandes obstáculos a sua futura firmeza, e o fará viver no eterno dilema do “ser ou não ser”, SE NÃO SOUBERES ensinar como se processa o mecanismo da incorporação, desde o momento que a alma cativa recebe e fixa os “ligamentos” de outra alma independente, cuja inteligência possa fluir, livre e desembaraçada e a transmissão seja veiculada pelo consciente do Médium, sem a interferência do subconsciente, que, nessa ocasião deve permanecer mudo. Essa regra não é extensiva ao médium inconsciente, esse não sentirá “interferências”, a incorporação é total, terá certeza dos fundamentos que virão por ele e para ele.
Bem, meus irmãos umbandistas, o espaço é curto; finalizo conclamando-os a meditarem sobre essas duas “fórmulas”, pincipalmente a ti Irmão-Médium, ainda quero lembrar essa dura verdade: não tenhas ilusões, tua Missão é um Campo de Batalha, onde a luta não cessa, os Negativos chegarão por todos os lados, como “Larvas” para o ataque; mas, não importa que elas venham gritando e saltando das “cangiras” de Nagô; não importa também que cheguem gemendo e rilhando os dentes das trevas de Omolocô, nem que gargalhem zombarias na fúria impotente de abalar tua Fé: Sê firme, não temas; tens as Armas da Lei; porém, guarda-te dessas que vem com risos suaves de bajulação e cânticos maviosos de atração fazendo tudo para insuflar tua Vaidade com a ilusória concepção do “Eu sou”.
Voltarei irmão para dizer algo sobre “LEI DE PEMBA”.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

AGÔ MESTRES!

Matéria de W. W. da Matta e Silva publicada no Jornal de Umbanda.


AGÔ, MESTRES !

W. W. da Matta e Silva


Jornal de Umbanda, Abril de 1955, n. 53


É assaz chocante, quando se faz um exame no “panorama” chamado Umbanda, através dos ensinamentos de suas Escolas, por seus Livros ou Evangelhos...
De um lado vê-se uma “mistura” de Africanismo e Catolicismo; de outro, Kardecismo e o dito Catolicismo... Ou os três juntos.
E ainda de outro, mais um “tempero” surgiu, com uma inovação, espécie de culto esdruxulo que começa a florescer num crescendo assustador; passaram a render “hosanas” às mais variadas estátuas de pretos e pretas velhas, índios de tipos diferentes, isto é, de “várias nacionalidades” e as “formas” que se assemelham a do suposto Diabo da Mitologia, com chifres, ferrão, serpentes, capas pretas e vermelhas... que dizem ser Exus...
E o interessante é que todas essas “ditas coisas” são tidas como expressando as tão citadas ”mirongas”, ou as tão apregoadas verdades, desta tão mal interpretada Umbanda de todos nós.
Mas o que causa realmente espanto, vem de setores que se dizem altamente situados a ensinarem essas mesmas verdades, todas elas como a lidima revelação da Lei de Umbanda... Com a confusão que fazem de “alhos e bugalhos”...
Nesta altura, um pequenino “eu”, de uma pequenina Tenda, dessas que certos “iniciados” generalizaram como africanistas, “macumbistas” e outros epítetos, sem antes se darem ao cuidado de provarem que realmente entendem de Umbanda, porque a única “novidade” que apresentaram até agora foi o “meterem o pau” nesse pobre africanismo, pensando que todos os Dirigentes de Tendas o praticassem fossem analfabetos, ostentando Guias de araque...[1]
Nesta altura, repito, um pequenino “eu” pede – AGÔ MESTRES...
AGÔ para dizer a vossos “iluminados mentais” que dentro da verdadeira Umbanda do momento, existem legítimos Diretores Espirituais, que tem um DOM REAL E EXISTENTE.
Esses são Médiuns de “fato e de direito” e seus Mestres, os Orixás da Lei, “falam, revelam e não mentem”, os inalteráveis e reais PRINCÍPIOS que não estão escritos ainda, nas páginas dos atuais Livros de Umbanda...
Assim, peço AGÔ mais uma vez, oh! “mestres”, para perguntar: que Entidades, Anjos ou Cherubins, Livros Sagrados ou Científicos, vos revelaram que a Lei de Umbanda é “criação” de menos de dois mil anos e seus inspiradores foram os primeiros mártires do Cristianismo, conhecidos como Santos, atualmente?...
Quem vos disse que Ogum é São Jorge e que Ogum de Lei é São Lázaro?... Era o caso de arranjarem mais 5 Santos para serem identificados com os Orixás que faltam para totalizaram os 7 que dirigem esta Linha, ordenada pela Vibração Original de Ogum...
Ou então mais 7 vezes 7, igual a 49 Santos, para simbolizarem os ORIXÁS PRINCIPAIS de cada Linha... E ainda por essa “lógica”, surgiria uma “Umbanda” com 365 linhas que corresponde à quantidade mínima de Santos que enchem o calendário...
Saibam então que OGUM é o TERMO LITÚRGICO que se identificou como uma das “sete palavras perdidas” compostas de duas sílabas ou palavras “falantes” que no fundo vem a ser a mesma: IG ou AG, que é o AGNI dos Hindus – o Fogo Sagrado; e AUM, OM ou UM, invocação mística do Brahmanismo que encontra sua CORRESPONDÊNCIA FONÉTICA em OGUM que traduz essas ditas invocações místicas, Exemplo: O FOGO SAGRADO, O FOGO DA SALVAÇÃO ou DA GLÓRIA, O FOGO DEVORADOR...
E ainda na Cosmogonia, o FOGO ETÉREO... Em síntese é uma VIBRAÇÃO ORIGINAL.
Saibam, portanto, que a Entidade de Jorge se identifica como Ogum de Lei, um dos sete Orixás da Linha ou Vibração, isto é, UM igual a mais SEIS... Um dos Diretores, um dos Patronos etc., porque todos os Orixás se identificam, precedendo os nomes que os qualificam com o da dita vibração original que os ordenam...
Quem vos disse ou “inspirou” ainda, oh! “mestres” das verdades ocultas (ou ocultadas) que Jerônimo, doutor em Leis, que no ano 384 traduziu (perplexo e duvidoso) o Novo e o Velho Testamento conhecido depois como VULGATA e que só foi Santo, muito tempo depois, fosse a própria VIBRAÇÃO ORIGINAL DE XANGÔ... E comandasse sozinho todos os Orixás, das 7 Legiões, cada uma com 7 Falanges, que formam UMA das Linhas da Lei de Umbanda?...
AGÔ para dizer-vos que XANGÔ é também uma das “sete palavras perdidas” que traduz em si, uma das Sete Vibrações Originais, que ordenam os SETE ORIXÁS PRINCIPAIS, inclusive o chamado Jerônimo que é um desses, isto é, chefe de Legião... E ele se identifica como Xangô Kaô (Kaô quer dizer – a Pedra do Céu, ou o ÉTER do Céu).
XANGÔ ou CHANGÔ na verdadeira grafia é composto de duas sílabas ou palavras falantes; a primeira, CHAM significa – O FOGO SUBTERRÂNEO, O RAIO;  a segunda GÔ, significa – RAIO, ALMA, SENHOR; e esses valores que compõe a dita palavra mística, traduzem – Alma do Fogo Subterrâneo, Senhor do Raio Oculto, Senhor do Raio etc.
Ora, “essas coisas” não são pura MITOLOGIA AFRICANA; TEM SEU VALOR COSMOGÔNICO...
AGÔ, então, TRÊS VEZES, para terminar nestes dois exemplos dizendo que, Gregos e Troianos podem ser donos de “quantas espécies” de umbandas queiram, fabricadas à “sua moda” que esse pequenino “eu” não tem nada a ver com “isso”; mas não digam nunca, POR FAVOR, que essas traduzem a UMBANDA VERDADEIRA...
Porque existem Médiuns e chefes de Tendas que sabem distinguir Orixás, Guias e Protetores em suas Linhas ou Vibrações certas...
E jamais mudariam por livre “inspiração”, um Caboclo (4) Quatro Luas, que conforme o número e a palavra que o qualifica traduz, ali pelas três horas, 4, número par, gerado e gerador; LUA, Planeta dito feminino porque é o da gestação, fecundação, corresponde à Vibração de YEMANJÁ – A DIVINA MÃE NA UMBANDA, por analogia, o Eterno Feminino, a Mãe Sofia dos Teosofistas etc.
E Pai André, Pai Joaquim, Pai José, Vovôs e Vovós, todos altamente evoluídos que VELANDO suas “vestimentas karmanicas”, cumprem Missão, usando uma das “TRÊS FORMAS” ordenadas na Lei, como seja, a dos Pretos Velhos que assim o fazem debaixo de sua própria de YORIMÁ... para a já citada Vibração de Xangô; porque demonstrariam assim uma total ausência de “conhecimento de base”.
E nunca em tempo algum, até nos ditos “meios africanistas, se ouve afirmar que um “preto velho” fosse chefe de uma Falange de “Caboclos” de outra vibração, tendo, portanto, sus próprias chefias...
E jamais oh! mestres, tornem a falar dessa SENHORA DA LUZ VELADA – UMBANDA DE TODOS NÓS, sem pedirem AGÔ, TRÊS VEZES, para que um “véu de vossas mentes” seja afastado e assim possam VÊ-LA, em seus VERDADEIROS PRINCIPIOS...









[1] Araque é uma gíria muito usada nas décadas de 1960 e 1970 e significa falso.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

MACUMBA

Aparato apreendido pela policia carioca em um terreiro de macumba.

Revista "O Malho" (28 de setembro de 1929)


terça-feira, 19 de agosto de 2014

BENJAMIM FIGUEIREDO CANDIDATO À VEREADOR

Reportagem do jornal "A Manhã", agosto de 1950.

O MAIS CATEGORIZADO LIDER DOS ESPÍRITAS DO DISTRITO FEDERAL

MILHÕES DE ESPÍRITAS DO DISTRITO FEDERAL SUFRAGARÃO OS SEUS REPRESENTANTES


Jornal A Manhã, agosto de 1950


Na “Tenda Mirim” ouvindo o Sr. Benjamim Figueiredo, candidato a vereador pelo P.S.D. nas eleições de outubro

 

As próximas eleições estão empolgando todas as classes e correntes político-sociais, pois a representação democrática, se exercida com dedicação e proficiência, pode muito construir em benefício do povo em geral, e em particular assegurar direitos de determinadas correntes que se agitam dependendo de consubstanciação em lei, pois até hoje algumas se debatem na incerteza de uma existência cheia de percalços.Precisam, sim, de lei expressa correspondente aos anseios e interesses, e nunca à mercê de contingências.Ora, ninguém ignora que os espíritas atualmente constituem uma poderosíssima corrente em nosso pais.Também tem eles suas reinvindicações perante o Estado, de modo a que não continuem sob a dúvida da má ou boa interpretação perante a administração do pais.Os espíritas têm as mais concretas possibilidades de indicar, com êxito absoluto, seus representantes à Câmara Municipal, à Câmara Federal, ou à Senatoria, como qualquer outra corrente de opinião política ou teosófica, de vez que, todos são iguais diante da lei.É fora de duvida que o espírita deve ser o trabalhador infatigável, iluminado pela crença, em prol da coletividade brasileira, combatendo todas as violências quaisquer que eles sejam, quer do ponto de vista intelectual, quer do ponto de vista material ou moral.E por quê? A vida de renuncia do verdadeiro espírita irmanado ao mais acendrado[1] amor fraterno aos seus semelhantes e por consequência à humanidade em geral, é indubitavelmente o mais elevado índice de que a caridade espiritual como lema, remove as montanhas deletérias do egoísmo das classes dirigentes, para alcandorar-se[2] acima da vaidade humana e defender com igualdade os direitos do homem, espalhando a influência benfazeja e exemplar para todos, sem distinção de classe, ou mesmo de crença de outras correntes teosóficas.Assim os milhões de espíritas, devem ser representados pelos seus principais líderes, escolhidos rigorosamente pelo método de comparação das obras já realizadas, da dedicação impar que porventura já tenha dado mostras.


  Na “Tenda Mirim”


 Dentre os Centros Espíritas de maior renome onde se pratica a caridade de “graça como a recebemos”, destaca-se a “Tenda Mirim”, no populoso bairro de São Francisco Xavier.Não será demais afirmar-se que nenhum carioca desconhece a “Tenda Mirim”, que obedece a orientação do Sr. Benjamim Figueiredo.Aqueles que o acompanham na tarefa ingente[3] de lutar com amor pela renovação dos costumes através do espiritismo, de incentivar e estimular ainda o amor ao próximo, resolveram levantar a sua candidatura à Câmara Municipal.Justamente por essa razão fomos procurar o Sr. Benjamim Figueiredo, que é uma espécie de “Sumo sacerdote” de Umbanda – religião típica do Brasil – cuja linha branca já é professada e acatada em todo território nacional.Temperamento afável, simples, expressão modesta que são apanágios do verdadeiro espírita, ouvimo-lo rapidamente.Disse-nos que os espíritas brasileiros precisam de uma tribuna no parlamento, a fim de defenderem as aspirações da sua corrente teosófica, pleiteando igualdade de condições com outra qualquer corrente, uma vez que a Constituição estabelece muito democraticamente que todos são iguais perante a lei dos homens, e nós sustentamos que todos são iguais perante Deus, razão porque não fazemos distinção entre nossos irmãos.Após ligeiras considerações e informações sobre o funcionamento e frequência da “Tenda Mirim”, esclareceu:– A minha humilde candidatura a vereador pelo PSD é um imperativo da nossa corrente que pleiteia escolas gratuitas em todos os graus para os reconhecidamente desprotegidos da fortuna, hospitais em quantidade suficiente para atender ao povo, asilo para os velhos, assistência para os menores, amparo à maternidade e direitos para os nossos trabalhos espirituais.Se eleito, continuarei defendendo intransigentemente com o apoio dos nossos 12 milhões de espiritas, o reconhecimento da nossa teosofia, evitando duvidas. Mas, também, aqui estarei sempre ajudando a amenizar as dores e amarguras dos nossos irmãos.De fato, a “Tenda Mirim” é um centro espírita muito concorrido e obtivemos informações de que o Sr. Benjamim Figueiredo é um líder escolhido espontaneamente pelos que o seguem naquela obra espírita, em vista de suas qualidades indiscutíveis. 


 Devemos registrar que Benjamim Figueiredo não foi eleito.

  

[1] Depurado, afinado (nota do organizador).
[2] Empoleirar-se (nota do organizador).
[3] Muito grande, enorme (nota do organizador).