terça-feira, 31 de agosto de 2010

HISTÓRIA DA UMBANDA É PARA QUEM CONHECE A UMBANDA


Diamantino Fernandes Trindade




Os recentes lançamentos das obras “A Construção Histórica da Literatura Umbandista” (Diamantino F. Trindade) e “História da Umbanda: uma religião brasileira”, do nosso querido irmão Alexandre Cumino, trazem mais luz a esse universo, ainda muito velado, da história da Umbanda.
Alexandre Cumino é um jovem e promissor escritor dos temas umbandistas e, agora, em particular, sobre a história da Umbanda. Muito conhecido no meio umbandista em função das suas atividades sacerdotais e magísticas, bem como editor do importante periódico “Jornal de Umbanda Sagrada”, revela-se também como um importante pesquisador.
A sua obra, recém lançada, apresenta um novo olhar sobre os aspectos históricos da nossa querida religião. Diversos temas são tratados com uma forte fundamentação e metodologia. Assim procede quem realmente quer fazer história. Recorreu, cientificamente, à pesquisa primária, utilizando documentos originais escritos e também à história oral, analisando e interpretando as fitas gravadas pela nossa querida irmã Lilia Ribeiro que, na década de 1970, fez diversas entrevistas com Zélio Fernandino de Moraes e outros importantes militantes da Umbanda.
Costumo perguntar como alguém pode praticar ou ser sacerdote de uma religião que não conhece? O maior de todos os físicos brasileiros, Cesar Lattes, dizia que sem história não há realidade objetiva. Para entender os diversos rituais praticados nos terreiros umbandistas é necessário conhecer a história da nossa religião, que não é dogmática, e tem fundamentos que remontam aos seus primórdios com Zélio de Moraes, Benjamim Figueiredo e outros baluartes que pavimentaram o caminho para todos os sacerdotes e discípulos da Umbanda.
Alexandre Cumino resgata, de forma brilhante, essa história, mostrando as origens, a etimologia da palavra, a trajetória e a literatura da Umbanda. É um livro que todo umbandista precisa ter e ler para poder argumentar e justificar os seus rituais e, mais do que isso, mostrar que a Umbanda é uma religião sem preconceitos que abarca em seus terreiros discípulos de todas as classes sociais, étnicas e religiosas.
Como disse o meu Pai Espiritual, Ronaldo Antonio Linares, é um livro para ser saboreado como se fosse um precioso licor, como se ouve um musica maravilhosa que foi composta só para você.
Parabéns meu irmão! Você escreve e faz parte da história da Umbanda.A História da Umbanda é para quem conhece a Umbanda!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A Construção Histórica da Literatura Umbandista



O nosso querido irmão Alex de Oxossi postou um comentário sobre a referida obra em seu importante blog Povo de Aruanda: http://povodearuanda.wordpress.com/2010/08/18/a-construcao-historica-da-literaturaumbandista/


Agradecemos profundamente ao nosso irmão.





Comentários sobre o livro “ A Construção Histórica da Literatura Umbandista” de autoria de Diamantino Trindade





Por que Diamantino Trindade está entre os melhores autores de livros sobre Umbanda? Porque tem autoridade, competência, como ele mesmo revela é um iniciado, um historiador do cotidiano da Umbanda, dono de um acervo imenso de livros e informações de inestimável valor. Podemos arriscar em dizer que na verdade, ele é o melhor historiador da nossa amada Umbanda.
Este livro mostra, dentro do contexto histórico-religioso, a inegável vocação magística da Umbanda através da magistral disciplina do autor, sua segura orientação, conhecimento e domínio do assunto relatado.
Lendo Diamantino, vê-se uma plêiade de escritores orientados pela espiritualidade, uns crendo nas raízes milenares da Umbanda, enquanto que antropólogos e cientistas sociais, a maioria não praticamente, ancoram suas idéias sobre as suas origens africanistas. Pouquíssimos pelo que se vê aqui, aludem ao não menos importante , Sr. Zélio de Moraes, o início da história da Umbanda, embora todos concordem que o Caboclo das Sete Encruzilhadas foi no grande baluarte propulsor dessa região em nossa pátria.
Percebemos que Diamantino Trindade percorreu todas as tendas fundadas pelo Caboclo, além de outras dezenas de centros e instituições umbandistas, obtendo direto da fonte ricos registros históricos de cada uma. Agradeceu com carinho e dedicou de coração a obra ao Sr. Zelio de Moraes e às suas filhas, a Matta e Silva, médium de Pai Guiné, ao babalorixá Ronaldo Linhares, a Alexandre Cumino e a Àtila Nunes Filho e Atila Nunes Neto pelos 60 anos do Programa Melodias de Terreiro. Todos são figuras fáceis do grande desfile de obras e conhecimentos, e importantíssimo pelos papeis que cada um desempenhou a seu tempo.
Logo no início do livro, Diamantino fala de Leal de Souza, do estudo e do livro que fez sobre sua vida, e relata sobre o poema dele que foi psicografado por Chico Xavier, chamado Morte e reencarnação. Também conseguiu achar as mais de 10 obras escritas por este umbandista das primeiras luzes desta religião, além de lembrar que ele foi dirigente da tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição, sendo lhe entregue o cargo pela Sra. Gabriela Dionysio Soares, sua fundadora em 1918.
A respeito do 1º Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda, fala que inicialmente pretendia-se um Congresso de expressão nacional, mas foi na realidade apenas um evento local. Mas muita coisa foi dita e está transcrita e comentada no livro, onde se denota o grande fervor de seus participantes, como podemos ver no discurso inaugural:…”No espiritismo de umbanda, algumas centenas, e até milhares de entidades (pertubadas e pertubadoras), podem ser conduzidas em cada uma das nossas sessões de trabalhos.”.
Outro grande tema deste Congresso foi a explicação da origem etimológica da Umbanda, e em contrapartida, em 1961, Diamantino explica que Cavalcanti Bandeira, autor do grande livro inspirado pelo Caboclo Mirim, chamado “ Okê Caboclo!” apresentou nova teses sobre a palavra e origem da Umbanda. Além disso, relata, embora dê a entender que o 3º Congresso não teve muita expressão, foi após dele que proliferaram as Federações e Associações de Umbanda, e nelas desenvolveram grande projetos caritativos e sociais.
Em outro capítulo, há uma curiosa explicação sobre a origem das imagens aberrantes dos exus, comercializadas nas casas de produtos religiosos de Umbanda, onde afirma do desserviço do Sr. Lourenço Braga, com conceitos equivocados sobre a religião e seus fundamentos, deturpou a imagem e o papel dos Exus, alterando também as linhas de Umbanda.
Neste numeroso desfile de idéias, palavras e expoentes representantes da religião da Luz Divina, Diamantino encontra aqueles que separam a umbanda da quimbanda, outros que inserem a segunda na primeira, outros que seguem de perto muito espiritismo preconizado por Kardec, outros ainda que introduziram muitos componentes orientais, além do que outros afirmam ser a Umbanda uma religião de raízes apenas africanas. Conseguiu nesse cadinho de opiniões sedimentar os alicerces do que representa hoje a Umbanda para nós, sem qualquer vestígio de contradição, sectarismos ou interferências pessoais. Foi primoroso e fiel relator do início ao fim.
Seguindo uma trajetória cronológica, o autor desta obra faz importante constatação: afirma que o movimento umbandista teve três eventos importantes para se implantar em terras brasileiras: o primeiro no final do século XIX, com o Caboblo Curuguçu; o segundo, na 1ª metade do século XX, com Zélio de Moraes e o Caboclo das Sete Encruzilhadas, e na década de 50, ocorreu o terceiro evento por intermédio de W.W. da Matta e Silva, Mestre Yapacani. Segue falando da obra deste magnífico umbandista, sua luta, mas estes detalhes devem ser saboreados com calma, quando o leitor adquirir o livro na íntegra.
Como não poderia deixar de fazer, Diamantino fala de Àtila Nunes e sua família. Àtila Nunes escrevia no jornal “Gazeta de Notícias” na coluna “Gira de Umbanda”. Nestas anotações, nota-se a coragem e despreendimento, em mostrar seu apreço por respeitar as tradições umbandistas, dentro de seus fundamentos, criticando o excesso de exposição de alguns umbandistas frente aos meios de comunicação.
Eis um trecho: “ …É nosso dever mostrar a nossa convicção, mantendo as nossas tradições e tudo aquilo que herdamos dos nossos antepassados”. Finalizando desse modo; “ Acima de tudo, a dignidade da nossa crença, dos nossos irmãos, de tantos que dão tudo de si pelo bem de todos!”
Àtila Nunes Filho e Àtila Neto continuam empenhados na união dentro da Umbanda e seu reconhecimento por toda a nação.
Já sobre o Capitão Pessoa, fundador e dirigente da tenda de São Jerônimo, podemos refletir sobre um pensamento seu, sem nos prolongarmos e interferirmos no prazer do leitor sobre o texto na íntegra: “…Porque vaidade, em termos de espiritualismo umbandista, é ingenuidade, quando não ignorância, idiotice, burrice.”
Prosseguindo neste primoroso desfile de autores umbandistas, há um capítulo sobre o Sr. Cavalcanti Bandeira, que escreveu a importante obra “O que é a Umbanda”, em 1973 , excelente obra com conceitos esclarecedores sobre exus, sendo adepto da origem africana do termo Umbanda. Esta obra, tal como a maioria dos antigos livros de Umbanda, só se encontram, de forma rara, em sebos, atualmente.
Há um capítulo sobre Roger Feraudy, que escreveu noticiando lembranças de um Universo perdido no tempo, um fio conector com a Umbanda. Por exemplo, um dos seus livros, chamado “A Terra das Araras Vermelhas”, mostra a raça vermelha, muito anterior ao atual povo que habita o Brasil.
E assim por diante, Diamantino recheia o texto com uma escrita clara, direta, prazeirosa de ler, concluindo um trabalho de vasta e profunda pesquisa, inequivocamente necessária para todo umbandista, como também para qualquer estudioso das religiões. Livro para ficar à mão fácil de achar, pois com certeza nele iremos a todo momento para relembrar fatos e reavivar a memória dos grandes acontecimentos da história de nossa querida Umbanda. Mesmo as polêmicas, as dissensões, tudo faz parte da construção e solidificação da mesma, e temos de ficar de pé para aplaudir.
Para finalizar, não resistimos e transcrevemos uma passagem, escrita no “Jornal de Umbanda” de 1954, por Matta e Silva, e utilizaremos este singelo comentário, que teve por objetivo parabenizar Diamantino Trindade por esta obra que é uma de suas melhores, entre outras tantas e tão instrutivas .
…”Senão, ouçam e entendam o que quero dizer: nós que somos trabalhadores de todas as noites, veículos desses orixás que nos ensinam a existência dessa mesma umbanda; nós, primeiro a sermos esclarecidos em seus fundamentos, que amassamos seu pão de cada dia e nos sentimos ferir os seus espinhos…é que somos os mais indicados a distribuir suas pétalas…pois sabemos , elas existem no jardim da Luz e do Merecimento, espargindo sua essência aos sequiosos e aflitos que buscam seu seio como guarida.”
Alex de Oxóssi

domingo, 15 de agosto de 2010

ORUNMILÁ IFÁ




O Prince Adekunle tem como nome religioso Adekunle Aderonmu Ogunjimi, nome adquirido quando de seu nascimento, em cerimônia própria, trazendo o significado da tradicional família da Coroa Real em Oyo - Abeokutá e diz respeito ao Orilé com origem e ligação sanguínea de gerações.
As raízes se remontam na tradição de pai para filho. Babá Ogunjimi foi iniciado aos 10 anos de idade para o Òrisà Ogun, em Abeokuta na África, sua terra Natal, e posteriormente para os mistérios de Ifá. Conforme assegura a tradição de origem familiar, é bisneto de Ojélabi, cultuador de Egungun, neto de Ifatoki e filho carnal de Ifaronmu Aderonmu, do mesmo modo, sacerdote no culto a Ifá, sendo então ele hoje Babalawo Ogunjimi Ifaronmu Aderonmu.
Em resumo, sua descendência religiosa se identifica nas raízes que corresponde à genealogia Africana, nas terras de Abeokuta, preservando os fundamentos e conhecimentos de seus ancestrais. Por determinação de Ifá, Ogunjimi atravessou o Atlântico, chegando ao Brasil. Trazendo sua cultura Yorubá, radicou-se na cidade de São Paulo, e através de muito esforço foi criado o alicerce para a construção e o surgimento do Ile Ase Ifá. Uma pequena reprodução do lugarejo onde morou na África, foi fundado também aqui em São Paulo, o Igbo Ifá, juntamente com todas as divindades, através de seu Babalawo "Arabá Salau Adisá Arogundade", foi lançada sua pedra fundamental.
É formado em Bioquímica na Universidade de Lagos e é considerado Otunbá (Rei) em seu pais, devido a herança de família nobre e tradicional. Ciente da grandiosidade do contingente populacional de negros e afrodescendentes no Brasil, cujo tema é objeto permanente de suas pesquisas, o Otunba Adenkule Aderonmu idealizou o Centro Cultural Africano, que funciona na Cidade de São Paulo, instituição que tem como objetivos principais fazer o intercâmbio cultural, social e religioso entre o Brasil e o continente africano. Tem como missão fortalecer a solidariedade, a ética, a esperança, o talento, o respeito e elevação da auto-estima, além de manter vivas as tradições culturais africanas e afro-descendentes, contribuindo para o desenvolvimento do patrimônio oral, material e imaterial da humanidade.


No site www.ileifa.com.br Otunba Adenkule Aderonmu explica que dentro de sua história Orunmilà é um dos Ifá que Olodumare (Deus Supremo) mandou ao mundo para ser seu representante. Através dele os humanos sabem o amanhã. Para alguns ele estava junto de Olodumare quando este criou o ser humano, por isso que o chamamos de Eleri Ìpin - aquele que vê o destino - porque ele sabe tudo com sua inteligência podendo intervir junto a Olodumare. Ifá é o intermediário entre o homem e Olodumare, por isso é chamado também de Okitiripi a pa ojo iki da, aquele que pode mudar o dia da morte.

Seu nome correto é Òrun mó oolà (sabe o amanhã) ou Òrun mó eniti o màa la (sabe se a pessoa vai se salvar). Quando veio ao mundo residiu perto da cidade de Ekìtì, foi para Ado-Ekìtì e depois para Ijesa-Obòkun e finalmente fixou-se em Ile-Ifé.

Ifá conta com Osayin como seu auxiliar em seus feitos, por isso Osayin é considerado o rei das folhas. Quando Ifá estava ocupado, mandava Osanyi em seu lugar. Outro que fica próximo dele é Èsú.

Òrúnmilà é uma entidade que Òlodùmaré mandou para a Terra para ajudar a resolver os problemas dos homens. Orunmila usava Ifá para adivinhar os problemas do homem. Esse Ifá se chama Ikin[1] e ele usava dezesseis ikin para fazer a advinhação. Cada um desses ikin representa um odú.


Èjiogbè

Òyèkú méji

Èdí méji

Òbarà mèji

Ònkonròn mèji

Iròsun mèji

Ìwòrì mèji

Ògundá méji

Òsá mèji

Òsé mèji

Ologbon mèji

Òrète méji

Òturà méji

Orangìn méji

Eká méji

Todos esses odú são diferentes entre si e possuem outros dezesseis.

Há algum tempo atrás não se fazia nada na sociedade Yorubá sem consultar antes Ifá. Habitualmente consulta-se Ifá antes de contrair matrimônio, para tirar duvidas a respeito de negócios, problemas espirituais, problemas com doenças etc.

Acesse o site do Centro Cultural Africano

http://www.centroculturalafricano.org/

Diamantino Fernandes Trindade (Ifasoya)

Membro do Centro Cultural Africano
Omo Ifá do Ile Ase
Ifá



[1] Ikin ou no plural Ikins são coquinhos (nozes) de um tipo especial de palmeira de dendê que ao invés de apenas dois olhos como nas palmeiras comuns, apresentam três ou mais olhos. Para serem usados para fins divinatórios no Culto de Ifá tem todo um ritual de extração e preparo especial prévio.

JURAMENTO DO UMBANDISTA


Ao abraçar a fé UMBANDISTA

Eu juro solenemente

Perante "DEUS E OS ORIXÁS

Aplicar os meus dons de mediunidade somente para o bem da humanidade

Reconhecer como irmãos de sangue, os meus irmãos de crença

Praticar com amor a caridade

Respeitar as leis de "DEUS" e as dos homens, lutando sempre pela causa da JUSTIÇA E DA VERDADE

Não utilizar e nem permitir que sejam utilizados os conhecimentos adquiridos num terreiro, para prejudicar a quem quer que seja.

Ronaldo Linares


A imagem mostra médiuns do Barco 27 de Formação de Sacerdotes da Federação Umbandista do Grande ABC após a Obrigação à Oxalá fazendo o juramento (2010).

OBRIGAÇÃO À OXALÁ


Médium, do Barco 27 de Formação de Sacerdotes da Federação Umbandista do Grande ABC, sendo consagrada na Obrigação à Oxalá na Casa de Pai Benedito (2010)

RITO DE INVERNO 2


Mestre Hanamatan durante o Rito de Inverno na Cabana de Pai Benguela

RITO DE INVERNO 1


Consagração de médium durante o Rito de Inverno na Cabana de Pai Benguela

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

RITO DE MACAUAN

DIAMANTINO FERNANDES TRINDADE (IFASOYA)

I. INTRODUÇÃO

Este é um rito especial que deve ser feito com um número reduzido de pessoas. Não deve ser realizado durante as giras, pois exige um grau maior de concentração e meditação.
Este rito é um avanço ao Rito de Louvação aos Orixás praticado por Mestre Hanamatan, durante o período de 1995-1999, no Templo da Confraria da Estrela Dourada.
Macauam é o nome onomatopaico[1] de uma ave de rapina, também conhecida como Acauan, Nacauan, Cauan, que se alimenta de cobras. A pronuncia repetida do seu nome predispõe a um leve estado alterado de consciência, o que possibilita às pessoas participantes do rito, uma elevação de consciência para que as energias do Astral possam ser mais bem aproveitadas.
Deve-se pronunciar o nome na forma de mantran utilizando o ritmo dos cânticos indígenas. Pode ser utilizado um pequeno tambor para a marcação do ritmo ou ainda uma maraca.
Pronuncia-se repetidamente: anauan, macauan, anauan, macauan, anauan, macuan.....



II. O RITO


1. Preleção

Antes do rito deve-se avisar as pessoas para comparecem com roupas leves e claras e no período de 24 horas que antecede o rito, não fazer sexo, não ingerir bebidas alcoólicas e não comer carne.
Pessoas que estão debaixo de pesadas demandas ou obsedadas, não devem participar deste rito.
Com as pessoas já sentadas nas cadeiras, nos bancos ou no chão, na posição de lótus, descalças, o dirigente faz uma breve preleção explicando a importância de deixar o campo mental livre de pensamentos profanos. Os médiuns participantes também deverão ficar nessa posição.
Fazer uma breve explicação sobre os chacras, os campos mental, astral e físico.
Esta explicação fica a critério do dirigente em função do grupo de pessoas que irá participar do rito.
Deixar sobre uma mesa com uma toalha branca, ou em cima do congá, uma jarra com água potável para ser fluidificada.
Fazer uma defumação com erva-doce (cinco partes), cravo da índia (duas partes) e canela em pau (duas partes) e imburana (uma parte). A imburana ativa o campo mental.


2. A respiração

Antes de iniciar os exercícios respiratórios, explicar que quando inspiramos o ar, estamos levando para dentro de nós o oxigênio que é veículo de energias positivas. Quando expiramos, eliminamos o gás carbônico junto com as energias deletérias.
Pedir para todos fazerem uma inspiração profunda e segurar o ar por dez segundos. Eliminar o ar soprando fortemente para o chão. É interessante que o dirigente dos trabalhos consiga que todos façam o exercício sincronizadamente. Para isso ele deve comandar a inspiração e a expiração. Fazer aproximadamente dez vezes.


3. Limpeza do campo mental

Fazer agora uma defumação com incenso (olibano).
Pedir para todos fecharem os olhos. Falando serenamente, o dirigente deve conduzir todos pelo caminho que ele perceber que é o melhor para o momento. Posso citar o seguinte exemplo:

· Fechem os olhos. Imaginem que estão saindo do templo e entrando em uma mata fechada.
· Caminhem pela mata e percebam alguns raios de sol passando pelas árvores. Continuem caminhando em direção aos raios de sol.
· No final da mata a luz solar fica mais intensa e vocês chegam à margem de um rio límpido e caudaloso. Vocês estão descalços.
· Sentem-se à beira do rio e coloquem os pés na água. Sintam a vibração da água fluindo pelo seu corpo.
· Peguem um copo de vidro liso e encham com água do rio. Vocês percebem que a água dentro do copo está turva, barrenta. Este copo representa o vosso campo mental, cheio de entulho do dia a dia da sua vida turbulenta.
· Vamos limpar esse campo mental. Lavem bem o copo com a água do rio até que ele fique bem limpo.
· Agora encham o copo com a água límpida. Coloquem-no contra o sol. Vejam como os raios de luz passam pela água. Bebam dessa água. O vosso campo mental está limpo e vocês estão prontos para receber as energias positivas do Astral.
· Entrem no rio e banhem-se nessas águas purificadoras. Sintam o campo mental, o campo astral e o campo físico cada vez mais limpos.
· Agora saiam do rio e recebam em vossos corpos os raios do sol. Sintam esse calor e o bem estar que ele lhes traz.
· Vamos fazer o caminho de volta pela mata. Vamos caminhando até encontrar um ser alto, de pele bronzeada, usando uma túnica lilás e que está emitindo poderosas vibrações de paz e amor. Cheguem perto dele e deixem que ele toque o vosso coronal, o vosso frontal e os demais chacras. Sintam essa energia positiva fluindo em todos os chacras. Ele está curando vossos males físicos e espirituais. Mentalizem as partes do vosso corpo que vocês sentem adoecidas. Peçam para que ele retire todas as suas perturbações. Agradeçam pela energização.
· Vamos agora retornar ao templo. Sentem-se na posição em que vocês estavam antes de sair.
· Todos podem agora, serenamente, abrir os olhos.


4. Entonação mantrânica

Colocar em frente aos participantes uma mandala ou uma pemba riscada numa tábua de acordo com a intuição do dirigente.
Pedir para que todos fixem o olhar nessa mandala ou na pemba (todos devem permanecer com os olhos abertos). Sem desviar o olhar, começar a entoação do mantram (anauan, macauan, anauan, macauan...). Pode-se utilizar uma maracá ou um tambor, ou os dois, para marcar o ritmo. Manter a entonação até perceber uma boa conexão com o Astral ou uma leve alteração do estado de consciência.
Pedir agora para todos fecharem os olhos e fazer uma respiração bem serena.


5. Incorporação

A incorporação das entidades é facultativa. O dirigente deve usar a sua intuição para saber da necessidade da presença das entidades incorporadas.
Se isto ocorrer, deve ser algo rápido. Não é o momento para grandes consultas.


5. Encerramento

Logo após a subida das entidades (se houver a incorporação), procede-se a uma defumação leve (fica a critério do dirigente).
Explicar que a água foi energizada e que tem a função de medicamento espiritual.
Servir um pequeno copo com a água energizada a todos os participantes. Pedir para beberem calmamente.
Fazer uma breve explanação sobre o rito.
Encerrar com uma oração a critério do dirigente.
Pedir para que todos voltem serenos e tranqüilos para as suas residências.


É claro que o rito pode sofrer variações de acordo com a intuição do dirigente.

Meu saravá profundo!

[1] Onomatopéia designa expressões ou palavras cuja sonoridade imita a voz , ruídos de objetos ou animais.

BIBLIOGRAFIA

BIBLIOGRAFIA DAS OBRAS DE RONALDO ANTONIO LINARES E DIAMANTINO FERNANDES TRINDADE.

· Iniciação à Umbanda – Ronaldo Antonio Linares; Diamantino Fernandes Trindade; Wagner Veneziani Costa. Madras Editora.
· Os Orixás na Umbanda e no Candomblé – Ronaldo Antonio Linares; Diamantino Fernandes Trindade; Wagner Veneziani Costa. Madras Editora.
· Jogo de Búzios – Ronaldo Antonio Linares. Madras Editora.
· Umbanda Brasileira: um século de história – Diamantino Fernandes Trindade. Ícone Editora.
· Umbanda: um ensaio de ecletismo – Diamantino Fernandes Trindade. Ícone Editora.
· Feitiços, Macumbinhas e Mirongas – Assipu Shafira (Diamantino). Ícone Editora.
· Antonio Eliezer Leal de Souza: o primeiro escritor da Umbanda – Diamantino Fernandes Trindade. Editora do Conhecimento.
· Manual do Médium de Umbanda – Diamantino Fernandes Trindade. Editora Suprema Cultura.
· A construção histórica da literatura umbandista – Diamantino Fernandes Trindade. Editora do Conhecimento.

SITES DAS EDITORAS

Madras: www.madras.com.br
Ícone: www.iconeeditora.com.br
Conhecimento: www.edconhecimento.com.br
Suprema Cultura: www.supremacultura.com.br

LANÇAMENTO


Meus queridos irmãos!

Neste domingo, 18/08/2010 às 20 horas, teremos o lançamento da importante obra "Historia da Umbanda - Uma Religião Brasileira" do nosso irmão Alexandre Cumino.


Diamantino Fernandes Trindade





quarta-feira, 11 de agosto de 2010

BATISMO 1


Pai Diamantino cruza a fronte de médium, com as ervas da macaia, durante a obrigação à Oxalá (batismo) do Barco 27, da Federação Umbandista do Grande ABC, em 24 de julho de 2010.

BATISMO 2


Pai Diamantino cruza, com sal (elemento preservador), o ori de de médium do Barco 27 da Federação Umbandista do Grande ABC durante o batismo em 24 de julho de 2010.

BATISMO 3


Pai Diamantino cruza a fronte de médium, com as espadas de Ogum, durante a Obrigação à Oxalá.

BATISMO 4


Pai Diamantino entrega a guia de Oxalá durante o batismo de médium do Barco 27 da Federação Umbandista do Grande ABC.

BATISMO 5


Detalhe da Casa de Pai Benedito durante o ritual de Batismo (Obrigação à Oxalá) dos médiuns do Barco 27 da Federação Umbandista do Grande ABC, em 24 de julho de 2010.

PAI BENEDITO


Mãe Dirce e Pai Ronaldo incorporado com Pai Benedito durante a cerimonia de entrega de barajás aos sacerdotes do barco 26 da Federação Umbandista do Grande ABC, em 17 de julho de 2010.

ENTREGA DE BARAJÁS 2


Abertura dos trabalhos para a entrega de barajás, na Casa de Pai Benedito, aos sacerdotes do barco 26 da Federação Umbandista do Grande ABC, em 17 de julho de 2010.

ENTREGA DE BARAJÁS


Pai Ronaldo Linares, Mãe Dirce e Pai Diamantino na solenidade de entrega dos barajás aos sacerdotes da Federação Umbandista do Grande ABC - Barco 26, na Casa de Pai Benedito, em 17 de julho de 2010.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A PESQUISA NA HISTÓRIA DA UMBANDA

Dezenas de sites da Internet, artigos, jornais e livros abordam a História da Umbanda utilizando-se da pesquisa secundária e terciária. Poucos utilizam a pesquisa primária, afastando-se assim da realidade histórica. É impossível ao historiador a imparcialidade. Desde a escolha de documentos até a redação do trabalho são feitas escolhas, que não são causais. Qualquer tentativa de escrever sobre um fato ou período histórico envolve seleção, julgamento e pressupostos metodológicos. A História não pode ser nunca puramente descritiva, pois sempre haverá elementos de avaliação em qualquer relato. Sendo assim, o máximo que um historiador pode fazer no seu trabalho é alcançar uma face da verdade, que não é absoluta e sim variável de acordo com as condições que se apresentam no momento da escrita.
Quando escrevi pela primeira vez sobre a História da Umbanda[1] utilizei apenas a pesquisa secundária fundamentada nos relatos e apostilas da Federação Umbandista do Grande ABC, escritas por Ronaldo Linares que havia feito algumas entrevistas com Zélio de Moraes e relatos de Lilia Ribeiro que também havia entrevistado Zélio. Esses relatos e apostilas levaram-me à pesquisa primária por meio das diversas visitas a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade (entre 1984 e 1990), a primeira tenda de Umbanda. Durante essas visitas e um retiro de três dias na Cabana de Pai Antonio, em Cachoeiras de Macacu, Dona Zélia de Moraes e Dona Zilméia de Moraes revelaram-me preciosos dados sobre a implantação da Umbanda no Brasil, por meio do Caboclo das Sete Encruzilhadas e seu médium Zélio de Moraes. Colocaram à minha disposição fotos e documentos que possibilitaram uma pesquisa primária mais detalhada sobre a Umbanda. Um desses documentos disponibilizados foi uma cópia da rara obra de Leal de Souza, de 1933, intitulada O Espiritismo, a Magia, e as Sete Linhas de Umbanda, onde relatava diversos acontecimentos históricos da Umbanda. Este escritor tinha uma relação direta com Zélio de Moraes e o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Dirigiu, sob ordem deste Caboclo, a Tenda Nossa Senhora da Conceição. Em 1984, Dona Zélia de Moraes hospedou-se na minha casa, em São Paulo, por três dias onde tive a oportunidade de conseguir mais dados históricos sobre a Umbanda.
Com este material escrevi, utilizando a pesquisa primária, o livro Iniciação à Umbanda, 1986, que trazia a primeira abordagem mais completa, até então, da História da Umbanda no Brasil. A partir daí fiz diversas pesquisas e entrevistas em terreiros e federações de Umbanda e cultos afro-brasileiros. Consegui também diversos documentos sobre o trabalho de W.W. da Matta e Silva, que escreveu nove obras abordando os aspectos esotéricos da Umbanda. Ampliei assim a minha pesquisa primária e, em 1991, publiquei o livro Umbanda e Sua História, sendo este o primeiro livro de História da Umbanda no Brasil.
Em agosto de 2008, quando estava terminando de escrever o livro Umbanda Brasileira: um século de história[2] consegui um raro exemplar da obra No Mundo dos Espíritos, publicado em 1925, de Leal de Souza. Este sim é o primeiro livro que trata da Umbanda. Alguns trechos desta obra foram publicados neste livro.
Pouco se sabia da vida de Leal de Souza até então. Iniciei uma pesquisa, por intermédio da Internet, e consegui algumas referências de autores que escreveram sobre ele. Comecei, então, uma busca em “sebos” pelo Brasil afora e consegui 17 preciosos livros, algumas revistas, além de três outras obras de Leal de Souza. Para minha surpresa, um poema seu foi psicografado por Chico Xavier.
Com este material escrevi o livro Antônio Eliezer Leal de Souza: o primeiro escritor da Umbanda[3] que procura resgatar, pelo menos em parte, a vida pessoal e literária deste brilhante escritor que teve papel de destaque no parnasianismo, onde Olavo Bilac foi a figura mais importante, no jornalismo carioca e na literatura espírita e umbandista. Foi um defensor e praticante dedicado do Espiritismo e da Umbanda, tendo feito conferências na Federação Espírita Brasileira e convivido, durante vinte e três anos, com Zélio de Moraes e o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Dirigiu, sob as ordens e orientação desta Entidade, a Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição, uma das sete tendas mestras responsáveis pela implantação da Umbanda em nosso pais.
A minha pesquisa primária não cessa, pois a cada dia novos documentos aparecem e revelam aspectos ainda não conhecidos desta religião que completou 100 anos em 2008. Quando um pesquisador recorre apenas à pesquisa secundária e terciária incorre em erros que comprometem a realidade histórica.
Um exemplo da legitimidade da pesquisa primária podemos ver no seguinte caso: os relatos de Zélio de Moraes remetem a fundação da Umbanda no dia 15 de novembro de 1908 quando seu pai o levou a Federação Espírita de Niterói, dirigida por José de Souza. A Federação Espírita de Niterói é conhecida atualmente como Instituto Espírita Bezerra de Menezes. José Henrique Motta de Oliveira, em sua pesquisa de mestrado, entrevistou a Diretora de Divulgação deste Instituto, a Senhora Yeda Hungria, que consultou o Livro de Atas número 1 e nenhum registro foi encontrado sobre a manifestação mediúnica de Zélio de Moraes. Informou também que não há registros da reunião de 15 de novembro de 1908. Explicou ainda que o Instituto (antiga Federação) nunca foi presidida pelo Senhor José de Souza. Nessa época, a Federação tinha como presidente o Senhor Eugênio Olímpio de Souza (biênio 1907-1909). O Senhor José de Souza não aparece como ocupante de qualquer cargo da Federação, nem entre o registro de sócios.
Não podemos duvidar dos relatos de Zélio de Moraes e Leal de Souza, porém a pesquisa de Diana Brown, antropóloga e pesquisadora da Universidade de São Paulo, mostra que o evento ocorreu na Federação Espirita do Rio de Janeiro, sediada, na época, em Niterói. Por isso faz-se necessário que todos que escrevem sobre a História da Umbanda especifiquem se realizaram pesquisa primária, secundária, terciária etc. Qual a metodologia utilizada? Não basta consultar e copiar os escritos de Lilia Ribeiro, Ronaldo Linares, Diamantino Fernandes Trindade, Diana Brown e outros. É preciso ter acesso aos documentos históricos e realizar entrevistas nas fontes de origem. Isto faz parte daquilo que, nos meios acadêmicos, conhecemos como história oral.
Novamente, utilizando a pesquisa primária, escrevi o livro A construção histórica da literatura umbandista.[4] História não é Ciência, mesmo assim, utilizando metodologia científica, apresento momentos históricos da literatura umbandista que achei convenientes. O historiador não é imparcial, pois quando elege os documentos para sua pesquisa, já está sendo parcial. Em cada obra há um enfoque diferente, o que leva algumas pessoas a interpretar isso como um abandono de antigas idéias.
Historiador é aquele que escreve a Historia segundo a sua ótica em função de documentos originais orais e escritos.
Uma recomendação para aqueles que não gostam das minhas idéias: não leiam o que eu escrevo!

Diamantino Fernandes Trindade
Pós-Doutor em Educação pelo GEPI-PUCSP
Doutor em Educação pela PUC-SP
Mestre em Educação pela Universidade Cidade de São Paulo
Master Science in Education Science – City University Los Angeles
Professor de História da Ciência, Epistemologia e Metodologia Científica do
Instituto Federal de Educação de São Paulo
Membro do Centro Cultural Africano
Sacerdote da Federação Umbandista do Grande ABC
[1] Aspectos históricos e sociais da Umbanda no Brasil, monografia de conclusão do curso de pós-graduação em Estudos Brasileiros pela Universidade Mackenzie (1983).
[2] Este livro foi lançado em novembro de 2008 pela Ícone Editora.
[3] Obra publicada, em 2009, pela Editora do Conhecimento.
[4] Obra publicada, em 2010, pela Editora do Conhecimento.