sábado, 29 de outubro de 2016

IV WORKSHOP EXU - O SENHOR DOS CAMINHOS


Cabana de Pai Benguela - 22/10/2016
Está disponível, na página (FACEBOOK)  Cabana de Pai Benguela, a pré-inscrição para o V Workshop (2017)



quinta-feira, 27 de outubro de 2016

MACUMBA DE RICO CUSTOU Cr$ 300 MIL

Diário Popular, 20 de dezembro de 1990


Um despacho de 30 metros de extensão movimentou a esquina da Avenida João Paulo I com a Rua Padre Domingos Gava, na Freguesia do Ó, e fez a alegria dos pobres que passaram por ali na manhã de ontem. Montadas por um grupo de pessoas durante a madrugada, as oferendas tinham, além dos tradicionais pertences como charutos, frangos e velas, quilos de cerejas e uvas e muito camarão, a um custo aproximado de Cr$ 300 mil.
Em tempo de vacas magras o jeito é apelar para todos os santos. Se só as rezas não resolvem, a solução pode ser um despacho no cruzamento de uma avenida movimentada. Esta foi, provavelmente, a intenção dos autores de um despacho de aproximadamente 30 metros de extensão, que poderia se candidatar a uma menção no Guiness Book, o livro dos recordes, colocado em frente ao número 1510 da Rua Padre Domingos Grava, esquina com a Avenida João Paulo I, na Freguesia do Ó, Zona Norte da Capital Paulista.
Entre os tradicionais charutos, velas, frangos e pratos de farofa, canjica e acarajé, quilos de frutas da época como mamão, cereja e uva, e muito camarão, havia vários bilhetes agradecendo o bom ano e pedindo saúde e paz para 1991. Dois bilhetes traziam pedidos curiosos. Em um deles o autor, Fred José da Silva, pede para conseguir vender dois carros e ter condições de montar uma loja. Outro, de autoria não identificada, pedia dinheiro para pagar o INPS atrasado.
Segundo os moradores, é comum aparecer trabalhos naquele local. “Mas grande assim é o primeiro”, afirmou o funileiro Eugênio Moreira Sobrinho, que contou 20 frangos e dezenas de garrafas de champanhe, vinho e uísque. Mas logo no inicio da manhã muitas pessoas passaram apanhando as frutas e bebidas. “Levaram caixas cheias”, disse Eugênio.
Para Eugênio Sobrinho, que se diz médium, o trabalho foi feito por adeptos do Candomblé e seriam, no total, 13 e não apenas um despacho. “Isso não ficou por menos de Cr$ 300 mil”, acrescentou. Apenas o comerciante aposentado João Rodrigues, de 71 anos, disse ter visto os autores do trabalho.
Segundo o aposentado, era por volta de 0h 30 de ontem quando quatro carros pararam em frente à sua casa, que fica na Avenida João Paulo I, número 1478. Ele ouviu o barulho dos caros estacionando e desceu para verificar o que se passava. “Eu sai para a porta com um porrete, então eles passaram para outra esquina. Em seguida, passou uma viatura da PM e ouvi-os dizerem: nós já vamos. Quando a policia apareceu, eu entrei e fiquei observando de dentro. Os policiais foram embora e em menos de 20 minutos estava tudo arrumado”, afirmou.
João Rodrigues disse não saber quantas pessoas fizeram o trabalho “porque eles andavam muito rápido para arrumar tudo”, mas confirma que eram quatro carros e não havia pessoas conhecidas. O funcionário da administração Regional da Freguesia do Ó, Severino Cândido, que esteve no local recolhendo o material, calculado em aproximadamente 300 quilos o total do despacho.


MACUMBA NO CORINTHIANS

Diário Popular, 04/12/1991

Se macumba ajuda a ganhar jogo o Corinthians tem tudo para ser o campeão paulista. Pai Nilson, fanático torcedor corintiano, fez uma oferenda aos Orixás, com 197 velas, 197 rosas, duas vasilhas de pipoca, uma de canjica e um pote de água, e garante que o título ficará no Parque São Jorge. No Morumbi, o ambiente foi dos mais tranquilos. O técnico Telê Santana tirou o dia para contar piadas e o lateral Nelsinho ironizou o futebol moleque de Cilinho, afirmando que o verdadeiro esquema ofensivo é desenvolvido pelo São Paulo. Ronaldo, goleiro corintiano, também deu suas alfinetadas e declarou que a equipe tricolor só sabe dar pontapés.

O Corinthians vai disputar a final do Campeonato Paulista contra o São Paulo em desvantagem no regulamento, mas reforçado pelos Orixás. É o que garante Miranilson de Carvalho, presidente da torcida Trapalhões da Fiel e que é mais conhecido por Pai Nilson. Ontem à tarde, no Parque São Jorge, ele fez uma série de oferendas e logo em seguida, ao jogar os búzios, afirmou que os Orixás aceitaram tudo o que foi oferecido, e vão estar ao lado do Timão na decisão.
O conjunto de oferendas por Pai Nilson é chamado de ebó. O pai de santo distribuiu o trabalho em frente à estátua de São Jorge. Havia 197 velas coloridas, 197 rosas, duas vasilhas de pipoca, uma de canjica e um pote de água. “As rosas representam força, raça e vida; a canjica significa prosperidade e força coletiva; a pipoca representa os segredos da vida e a água é o símbolo da vida e força positiva”, explicou Nilson.
As velas foram acesas pontualmente às 18 horas, uma hora sagrada segundo Pai Nilson. “É uma hora de reflexão e muita energia e o momento em que os Orixás têm mais força para falar com Oxalá”, afirmou. O trabalho de Pai Nilson ainda não está completo. Falta o sacrifício de um animal, que será feito em seu barracão. “Não faço em publico porque tem gente que não gosta de ver. Vou sacrificar um carneiro pela paz do estádio, para que não aconteçam brigas e nem acidentes como o do rapaz que pisou em bomba no domingo”, afirma.
Pai Nilson disse que no começo do ano previu que o São Paulo seria campeão brasileiro e teria chances também de ganhar o Paulistão, mas a presença do Corinthians na final complica a vida do Tricolor. ‘“Decidir com o Timão não é fácil, porque a torcida tem representantes de todas as religiões e isso dá muita força ao time”, afirmou.

Luis Augusto Monaco



São Paulo campeão

O Campeonato Paulista de Futebol de 1991 teve como campeão o São Paulo, que conquistou o título ao vencer o Corinthians na final, com vitória por 3 a 0 no primeiro jogo e empate sem gols na segunda partida. O artilheiro da competição foi Raí, do próprio São Paulo, com vinte gols marcados.


“Se macumba ganhasse jogo, o Campeonato Baiano acabaria empatado”.


João Saldanha

A NOVA FACE DA UMBANDA



Jornal Zona Sul, 12 de maio de 1989, n. 552

Esta matéria e entrevista com Diamantino Fernandes Trindade foi publicada também nos jornais de bairro: Jornal Bibi Augusta, Jornal Brooklin News, Jornal do Morumbi, Jornal Interior News, Jornal Higienópolis News e Jornal Butantã News, em São Paulo. Estes periódicos eram tinham a edição de Ronaldo Aun G. Côrtes.

Para falar de Umbanda temos antes de conhecê-la, e para isto procuramos entrevistar Diamantino Fernandes Trindade, um dos maiores pesquisadores da Umbanda no Brasil, juntamente com Ronaldo Antonio Linares. Antes de nos aprofundarmos no assunto, vamos conhecer um pouco deste nosso velho amigo Diamantino.
Diamantino nasceu em Portugal em 1950 vindo para o Brasil em 1954, onde fixou residência com seus pais. Tornou-se um brasileiro autentico, casou-se e é pai de duas lindas meninas: Andréa e Ana Paula. Cursou em nível universitário a Faculdade de Química Oswaldo Cruz, a Universidade Mackenzie onde fez o curso de Estudos Brasileiros. Leciona atualmente, como professor universitário, nas Faculdades Oswaldo Cruz, Faculdades da Zona Leste e Universidade de Guarulhos. Em 1980, Diamantino iniciou sua carreira de escritor, sendo o primeiro livro Química Básica Experimental, que era o primeiro de uma série de 23 livros, nas áreas de Química, Tecnologia e Umbanda, e mais dois no prelo. Dentre os publicados na linha de ciência e tecnologia, destacamos: Matemática Industrial, Tecnologia Mecânica e Como Fazer Perfumes (já em sua sexta edição).
Em 1980, quando Diamantino teve sua veia de escritor despertada, também seu lado místico começou a revela-se. Diamantino, filho de católicos e católico fervoroso praticante ficou receoso com fatos que vinham acontecendo. Foi levado por amigos ao Templo Espiritual de Umbanda Ogum Beira Mar em São Bernardo do Campo e a Federação Umbandista do Grande ABC, em São Caetano do Sul, conhecendo Ronaldo Linares, presidente da mesma. Diamantino relutou, mas deixou que a sua mediunidade florescesse, transformando-se em um médium não apenas de fama respeitabilíssima, mas também em um profundo pesquisador de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros. Após alguns anos de pesquisa passou a escrever alguns livros sobre Umbanda. Os primeiros foram Iniciação à Umbanda, em dois volumes, que são considerados pelos maiores conhecedores da literatura umbandista, como o ponto de partida para aqueles que desejam conhecer ou iniciar-se na religião umbandista.
Nada mais lógico do que depois de conhecermos o que é Umbanda, devemos conhecer os Orixás. Para tanto, Diamantino, em parceria com Ronaldo Linares, escreveu a Coleção Orixás em cinco volumes. Isto pois, antes de qualquer pessoa se aprofundar na religião, é necessário que conheça seus Orixás.
Diamantino além de professor universitário, escritor, editor-chefe da área de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros da Ícone Editora, é também vice-presidente da Federação Umbandista do Grande ABC, membro do Conselho Consultivo do Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo, colunista do Jornal Noticias Populares, ministra cursos de formação de sacerdotes na Federação Umbandista do Grande ABC.
Continuando nossa entrevista, procuramos fazer a Diamantino, algumas perguntas sobre Umbanda em geral no Brasil.
Thaís – O que você acha sobre os falsos pais de santo?
Diamantino – São pessoas despreparadas e que se utilizam da religião para explorar comercialmente necessitadas de caridade.
Thaís – Você poderia citar nomes de pais de santo respeitados?
Diamantino – Podemos citar, dentre os mais respeitáveis, Ronaldo Linares, sem sombra de dúvida o mais conceituado do Brasil, Demétrio Domingues, Jamil Rachid e Pedro Furlan além de Edison Cardoso de Oliveira, Sima Tchalian, Esmeralda Salvestro Perusso entre outros.
Thaís – O trabalho feito para o mal pode retornar àquele que o fez ou solicitou?
Diamantino – O trabalho feito para o mal fere as Leis de Deus. As Leis Divinas são imutáveis, ocorrendo a Lei do Retorno para estas pessoas. A cada ação corresponde uma reação.
Thaís – É correto invocar espíritos e como se reconhece a mediunidade de uma pessoa?
Diamantino – A invocação de espíritos é correta desde que obedeça as leis espirituais que regem este fenômeno, devendo ocorrer sempre em um recinto apropriado (centro kardecista ou terreiro de Umbanda) devidamente preparado para tal. O reconhecimento da mediunidade em uma pessoa é feito, geralmente, pelas entidades incorporadas nos dirigentes espirituais.
Thaís – Por que os pais de santo muitas vezes não resolvem os seus próprios problemas?
Diamantino – A condição de pai de santo não o torna uma pessoa especial. Ele é humano como todas as pessoas, estando sujeito a todas as vicissitudes do dia a dia. O pai de santo também tem suas dividas cármicas e que ninguém poderá passar por ele.
Thaís – Caso os leitores queiram adquirir seus livros, onde poderão ser encontrados?
Diamantino – Nas boas livrarias ou na Ícone Editora, Rua Anhanguera 56/66, São Paulo.
Thaís – Qual a mensagem que você deixa para os nossos leitores?
Não importa qual é a sua religião, haja como você queria que os outros agissem com você. Deus está presente em todas e a sua atitude com o seu semelhante é o melhor atestado da sua ligação com Deus. Faça a caridade sem constranger a pessoa necessitada e lembre-se de que amanhã você poderá precisar de ajuda. Que o Grande Arquiteto do Universo possa trazer muita luz a todos vocês.


domingo, 2 de outubro de 2016

FORJANDO A ARMADURA (Rudolf Steiner) - Meditação


Nego-me a me submeter ao medo
que tira a alegria de minha liberdade,
que não me deixa arriscar nada,
que me torna pequeno e mesquinho,
que me amarra,
que não me deixa ser direto e franco,
que me persegue,
que ocupa negativamente a minha imaginação,
que sempre pinta visões sombrias.
No entanto, não quero levantar barricadas por medo do medo.
Quero viver e não quero encerrar-me.
Não quero ser amigável por medo de ser sincero.
Quero pisar firme porque estou seguro e não para encobrir meu medo.
E, quando me calo, quero fazê-lo por amor e não por temer as consequências de minhas palavras.
Não quero acreditar em algo só por medo de não acreditar.
Não quero filosofar por medo de que algo possa atingir-me de perto.
Não quero dobrar-me só por medo de não ser amável.
Não quero impor algo aos outros por medo de que possam impor algo a mim.
Não quero tornar-me inativo por medo de errar.
Não quero fugir de volta para o velho, o inaceitável, por medo de não me sentir seguro no novo.
Não quero fazer-me de importante por medo de ser ignorado.
Por convicção e amor, quero fazer o que faço e fazer o que deixo de fazer.
Do medo quero arrancar o domínio e dá-lo ao amor.
E quero crer no reino que existe em mim.