quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A NOVA FACE DA UMBANDA



Jornal Zona Sul, 12 de maio de 1989, n. 552

Esta matéria e entrevista com Diamantino Fernandes Trindade foi publicada também nos jornais de bairro: Jornal Bibi Augusta, Jornal Brooklin News, Jornal do Morumbi, Jornal Interior News, Jornal Higienópolis News e Jornal Butantã News, em São Paulo. Estes periódicos eram tinham a edição de Ronaldo Aun G. Côrtes.

Para falar de Umbanda temos antes de conhecê-la, e para isto procuramos entrevistar Diamantino Fernandes Trindade, um dos maiores pesquisadores da Umbanda no Brasil, juntamente com Ronaldo Antonio Linares. Antes de nos aprofundarmos no assunto, vamos conhecer um pouco deste nosso velho amigo Diamantino.
Diamantino nasceu em Portugal em 1950 vindo para o Brasil em 1954, onde fixou residência com seus pais. Tornou-se um brasileiro autentico, casou-se e é pai de duas lindas meninas: Andréa e Ana Paula. Cursou em nível universitário a Faculdade de Química Oswaldo Cruz, a Universidade Mackenzie onde fez o curso de Estudos Brasileiros. Leciona atualmente, como professor universitário, nas Faculdades Oswaldo Cruz, Faculdades da Zona Leste e Universidade de Guarulhos. Em 1980, Diamantino iniciou sua carreira de escritor, sendo o primeiro livro Química Básica Experimental, que era o primeiro de uma série de 23 livros, nas áreas de Química, Tecnologia e Umbanda, e mais dois no prelo. Dentre os publicados na linha de ciência e tecnologia, destacamos: Matemática Industrial, Tecnologia Mecânica e Como Fazer Perfumes (já em sua sexta edição).
Em 1980, quando Diamantino teve sua veia de escritor despertada, também seu lado místico começou a revela-se. Diamantino, filho de católicos e católico fervoroso praticante ficou receoso com fatos que vinham acontecendo. Foi levado por amigos ao Templo Espiritual de Umbanda Ogum Beira Mar em São Bernardo do Campo e a Federação Umbandista do Grande ABC, em São Caetano do Sul, conhecendo Ronaldo Linares, presidente da mesma. Diamantino relutou, mas deixou que a sua mediunidade florescesse, transformando-se em um médium não apenas de fama respeitabilíssima, mas também em um profundo pesquisador de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros. Após alguns anos de pesquisa passou a escrever alguns livros sobre Umbanda. Os primeiros foram Iniciação à Umbanda, em dois volumes, que são considerados pelos maiores conhecedores da literatura umbandista, como o ponto de partida para aqueles que desejam conhecer ou iniciar-se na religião umbandista.
Nada mais lógico do que depois de conhecermos o que é Umbanda, devemos conhecer os Orixás. Para tanto, Diamantino, em parceria com Ronaldo Linares, escreveu a Coleção Orixás em cinco volumes. Isto pois, antes de qualquer pessoa se aprofundar na religião, é necessário que conheça seus Orixás.
Diamantino além de professor universitário, escritor, editor-chefe da área de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros da Ícone Editora, é também vice-presidente da Federação Umbandista do Grande ABC, membro do Conselho Consultivo do Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo, colunista do Jornal Noticias Populares, ministra cursos de formação de sacerdotes na Federação Umbandista do Grande ABC.
Continuando nossa entrevista, procuramos fazer a Diamantino, algumas perguntas sobre Umbanda em geral no Brasil.
Thaís – O que você acha sobre os falsos pais de santo?
Diamantino – São pessoas despreparadas e que se utilizam da religião para explorar comercialmente necessitadas de caridade.
Thaís – Você poderia citar nomes de pais de santo respeitados?
Diamantino – Podemos citar, dentre os mais respeitáveis, Ronaldo Linares, sem sombra de dúvida o mais conceituado do Brasil, Demétrio Domingues, Jamil Rachid e Pedro Furlan além de Edison Cardoso de Oliveira, Sima Tchalian, Esmeralda Salvestro Perusso entre outros.
Thaís – O trabalho feito para o mal pode retornar àquele que o fez ou solicitou?
Diamantino – O trabalho feito para o mal fere as Leis de Deus. As Leis Divinas são imutáveis, ocorrendo a Lei do Retorno para estas pessoas. A cada ação corresponde uma reação.
Thaís – É correto invocar espíritos e como se reconhece a mediunidade de uma pessoa?
Diamantino – A invocação de espíritos é correta desde que obedeça as leis espirituais que regem este fenômeno, devendo ocorrer sempre em um recinto apropriado (centro kardecista ou terreiro de Umbanda) devidamente preparado para tal. O reconhecimento da mediunidade em uma pessoa é feito, geralmente, pelas entidades incorporadas nos dirigentes espirituais.
Thaís – Por que os pais de santo muitas vezes não resolvem os seus próprios problemas?
Diamantino – A condição de pai de santo não o torna uma pessoa especial. Ele é humano como todas as pessoas, estando sujeito a todas as vicissitudes do dia a dia. O pai de santo também tem suas dividas cármicas e que ninguém poderá passar por ele.
Thaís – Caso os leitores queiram adquirir seus livros, onde poderão ser encontrados?
Diamantino – Nas boas livrarias ou na Ícone Editora, Rua Anhanguera 56/66, São Paulo.
Thaís – Qual a mensagem que você deixa para os nossos leitores?
Não importa qual é a sua religião, haja como você queria que os outros agissem com você. Deus está presente em todas e a sua atitude com o seu semelhante é o melhor atestado da sua ligação com Deus. Faça a caridade sem constranger a pessoa necessitada e lembre-se de que amanhã você poderá precisar de ajuda. Que o Grande Arquiteto do Universo possa trazer muita luz a todos vocês.


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