sábado, 6 de novembro de 2010

MARAFO

Na edição 82 (1984) do periódico Umbanda em Revista, editada por Demétrio Domingues, o Dr. Adalberto Pernambuco escreveu uma interessante matéria sobre o marafo:

Marafo ou Marafa, corruptela de Malafa, é uma palavra de origem Kikongo, oriunda de Malavu, designativa da aguardente pura ou da infusão nesta de ervas maceradas, muito utilizada na Umbanda pelos Pretos Velhos e, principalmente, Exus, quer pela ingestão, quer pela distribuição entre os assistentes.
É um material dotado de grande força no campo da Magia, eis que simboliza a mais perfeita ligação entre os dois elementos essencialmente antagônicos: água e fogo por paradoxal possa isto parecer, e concedendo-lhe, a combustão, uma vitalidade hermética. Daí a propriedade com que os italianos a denominam Acqua vita, ou seja, água viva.
Seu poder magnético decorre exatamente desta conjugação de opostos, incomumente encontrada, o que torna assas perigoso o seu uso pelos não iniciados. Sua ingestão ritualística deve ser feita de molde a não conduzir à embriagues, restringindo-se às giras de Exus e aos trabalhos de Pretos Velhos. Nas engiras das demais entidades, seu uso é limitado apenas às descargas e limpezas.
Destarte, um controle rigoroso e efetivo deve ser exercido pelos cambonos no tocante à quantidade de bebida ingerida por um guia, isto se considerarmos que uma grande porção levar-nos-á, incontinentemente a duas conclusões óbvias:
a) encontra-se ali um quiumba, sedento de álcool; ou
b) um médium alcoólatra mistifica para satisfazer seu vício.
Baseamos nossa assertiva no fato de que, dentro da Magia Prática o álcool é considerado – bem como todos os excitantes – um dos mais preciosos agentes de que o homem dispõe e, sem contraposição, um dos apresenta maior risco, quando impropriamente utilizado. Seu emprego, sob a forma de aguardente, se caracteriza por uma ação assás rápida, de pouca profundidade e com duração efêmera.
O principal efeito decorrente de sua ingestão é a grande quantidade de força reversa que libera, proporcionando o ativamento do centro intelectual e predispondo o ingestor à recepção de intuições e vibrações que que lhe passam pelo cérebro em quantidade e número surpreendentes dada a rapidez com que se extingue sua ação energética.
Assim, a eficácia da aguardente se exerce por um lapso de tempo relativamente curto e – isto é o mais importante – nunca se lhe deve recorrer em uma segunda vez no período, exigindo-se repouso de pelo menos duas horas de sono a quem a usou com estes fins específicos, para que as forças despendidas sejam integralmente refeitas.
E este é o maior risco que o álcool proporciona na sua utilização em fins de Magia. Entidades pouco evoluídas, observando ou mesmo conhecedoras de seus efeitos positivos na transmissão das mensagens, mercê da vibração intensa que oferece, induzem o médium a repetir a dose tornando pernicioso o efeito, pois, não atingindo o mesmo elevado grau anteriormente obtido, buscam atingi-lo aumentando a dose e fazendo o aparelho parar, destarte, com longas horas de embrutecimento os poucos minutos de exaltação iniciais.
Ora, evidente se torna que indução desta natureza jamais possa partir de uma entidade de Luz, face aos danos produzidos pelo excesso nos corpos físico e etérico do médium e este é o principal argumento que nos leva a sustentar as duas opções já apontadas: quiumbas e mistificação.

Um comentário:

Francine França disse...

Pai Diamantino,

Sua Benção!

Adorei esse artigo, como sempre, rico em informações fundamentadas.

Um grande abraço.