sábado, 23 de agosto de 2014

A ÚLTIMA!!!


Entre julho de 1954 e dezembro de 1955 W. W. da Matta e Silva escreveu 16 matérias para o "Jornal de Umbanda". A maioria dessas matérias foi publicada nos livros "Umbanda de Todos Nós" e "Umbanda do Brasil".
Outra matéria importante foi publicada no jornal "O Semanário" (já disponibilizei aqui no blog). Duas dessas três matérias do "Jornal de Umbanda" já postei aqui no blog. Portanto, esta é a última que tenho no acervo.
É possível que existam outras matérias, mas, vasculhei durante meses os arquivos dos jornais da Biblioteca Nacional e nada encontrei. Tenho certeza que se for vontade do Astral (se elas existirem) chegarão até mim como tem acontecido há trinta anos quando iniciei a trajetória como historiador da Umbanda.


PREPARO DO MÉDIUM CONSCIENTE E INCONSCIENTE

W. W. da Matta e Silva

Jornal de Umbanda, Agosto de 1954, n. 45

Quanta presunção poderia conter esta afirmativa se, as simples verdades que vão ser expostas, não o fossem por demais sabidas, mesmo por aqueles que deviam ter obrigação de sabê-las. Presidentes de Tendas, Ogans, Sambas e Cambonos, Médiuns em desenvolvimento: aqui vão duas “fórmulas”, escolham a que mais sentirem verdadeira. A PRIMEIRA consiste em dizeres a qualquer um: tu és médium, estas “caindo de maduro”, para melhorares “disso ou daquilo”, combinado, inicias os preparos pondo-o logo para “rodar”, dando um pouco de “Curiá”, umas boas fumaçadas e “puxa” curimba. A seguir, com os progressos, preparas uma mistura de ervas e bebidas, inclusive a “marafa” e ainda um obi e um orobô (dois frutos que tem a “propriedade de abrir cabeça e amarrar” o Orixá) e leva-o ao mar ou à cachoeira, acenda velas, manda que se ajoelhe, despeja essa infusão na cabeça do dito, canta e chama o “Santo”; tudo isso com barulho de tambores, palmas e “pontos” bem gritados. Findo esse ritual podes considera-lo como “Amaci ou Batismo” – a teu critério. Não precisas saber se é consciente ou não, escolhas um nome de Guia bem bonito e presenteia-o, sendo que, até a “preparação” final, outras “afirmações” serão feitas, com ligeiras alterações, mas no todo o “preceito” é o mesmo.
Essa “fórmula” é muito eficaz, faz vibrar certas sensações que, alimentando instintos, afastam do “Ego” superior a reflexão e as concepções que poderiam penetrá-lo, deixando somente imperarem a ignorância e o fanatismo, armas poderosas que manejarás a teu bel prazer. E em consequência desse poder teu terreiro em curto tempo ficará superlotado. A SEGUNDA é pouco usada, por que: consiste em trazer a iluminação ao verdadeiro mediunismo, bem assentado e orientado, no reconhecimento e na experiência, que mostra como o psiquismo desperta as comunicações do Espiritual, e somente evolui, no silêncio pela concentração, ponto básico da iniciação de qualquer Escola. E, assim, quando assumires a responsabilidade de desenvolver um Médium, verifica primeiramente se esse Dom faz parte de sua provação imediata, como meio de resgate, e em certo caso positivo, deves conhecer se é veículo de efeitos físicos, consciente ou não. No caso de ser consciente (o mais comum), e portanto que vai exigir maiores cuidados, começaras por identificar sua Entidade de Guarda, ponto de apoio inicial a estampar na visão de seu mental. Então o farás entrar na corrente fluídica, pelo desenvolvimento e dirigirás sobre ele, vibrações com auxílio de um “Ponto” cantado e riscado, procurando fazê-lo sentir suavemente, com ritmo e harmonia, os fluídos que sua afinidade imantará pela presença da Falange que tenha sido chamada. E ensina-o a controlar o pensamento, sem o forçar, em concentrações dolorosas. E nas sessões para esse fim, passarás a observar o seu adiantamento, e fiscalizarás suas “dúvidas”, que serão os grandes obstáculos a sua futura firmeza, e o fará viver no eterno dilema do “ser ou não ser”, SE NÃO SOUBERES ensinar como se processa o mecanismo da incorporação, desde o momento que a alma cativa recebe e fixa os “ligamentos” de outra alma independente, cuja inteligência possa fluir, livre e desembaraçada e a transmissão seja veiculada pelo consciente do Médium, sem a interferência do subconsciente, que, nessa ocasião deve permanecer mudo. Essa regra não é extensiva ao médium inconsciente, esse não sentirá “interferências”, a incorporação é total, terá certeza dos fundamentos que virão por ele e para ele.
Bem, meus irmãos umbandistas, o espaço é curto; finalizo conclamando-os a meditarem sobre essas duas “fórmulas”, pincipalmente a ti Irmão-Médium, ainda quero lembrar essa dura verdade: não tenhas ilusões, tua Missão é um Campo de Batalha, onde a luta não cessa, os Negativos chegarão por todos os lados, como “Larvas” para o ataque; mas, não importa que elas venham gritando e saltando das “cangiras” de Nagô; não importa também que cheguem gemendo e rilhando os dentes das trevas de Omolocô, nem que gargalhem zombarias na fúria impotente de abalar tua Fé: Sê firme, não temas; tens as Armas da Lei; porém, guarda-te dessas que vem com risos suaves de bajulação e cânticos maviosos de atração fazendo tudo para insuflar tua Vaidade com a ilusória concepção do “Eu sou”.
Voltarei irmão para dizer algo sobre “LEI DE PEMBA”.

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